Análise SWOT da Cannabis no Brasil: Oportunidades do Setor

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Lara Santos

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Para além dos pontos fortes internos desse mercado, existem fatores externos que podem dar ao Brasil uma vantagem competitiva perante a indústria da cannabis no país.

Hoje, se inicia o quarto texto de uma sequência de postagens exclusivas voltadas à primeira análise SWOT pública do meio canábico. Na primeira publicação, explorou-se um pouco de quais são as principais características desse tipo de estudo e como classificar o que são fatores externos e internos, enquanto o segundo e o terceiro texto exploram os principais pontos positivos e negativos que essa indústria tem no Brasil.

Ao falar de oportunidades em uma análise SWOT, é um assunto referente aos fatores externos favoráveis que podem dar a uma organização uma vantagem competitiva. Por exemplo, se um governo corta uma parcela dos tributos, um fabricante de tecidos pode exportar suas roupas e materiais para um novo mercado, aumentando as vendas e a participação no mercado.

Talvez a parte mais simples dessa análise seja a compreensão de quais são as oportunidades do mercado de maconha, pois ele é, por si só, sua própria oportunidade. Em países onde o consumo e produção são legalizados, como é o caso do Canadá, já é possível acompanhar altas taxas de crescimento do mercado interno.

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Mesmo com o mercado ilegal presente desde o inicio da proibição, este não atende toda a demanda, necessidades e dores de seus consumidores por falta de compreensão e legislação. Sem o estigma sobre os traficantes de maconha, especialmente no Brasil, é possível observar que estes, na verdade, são personagens dentro de um cenário mais complexo, que não envolve apenas a cannabis, mas, sim, todas as drogas. Quem mais ganha com a proibição não são os traficantes, que transitam em ambiente inseguro e letárgico, e, sim, os agentes que, sem se envolver na comercialização, ganham parte do valor: policiais corruptos, donos de casas de internação compulsória, políticos que negociam com “executivos do tráfico” e recebem propina, e tantos outros. Já pensou quanto o Brasil gasta com a Guerra às Drogas?

A negação de que as pessoas não farão o consumo de substâncias ilícitas, pois essas são consideradas como “drogas do mal”, já deveria ter se provado ineficiente, assim como a chamada guerra às drogas. Durante a pandemia do novo coronavírus, ficou mais evidente do que nunca, a partir do aumento do consumo de cannabis nos países onde esse tipo de pesquisa é incentivado, que algumas das substâncias são aliadas a momentos de lazer e, desde que haja um consumo responsável, deveriam ser uma escolha do usuário e não do governo. 

uso empírico milenar da cannabis provou que existiam inúmeros benefícios terapêuticos a partir do uso e poucos riscos associados a um consumo responsável (como qualquer substância com potenciais tóxicos e viciantes, o consumo desenfreado é negativo). Porém a ciência e a medicina precisam compensar 100 anos de interrupção dos estudos e pesquisas sobre o assunto e, portanto, como mencionado anteriormente, esta é uma oportunidade dentro desse mercado. 

Para além dos pontos colocados acima, existem diversas outras oportunidades no mercado da maconha para o Brasil. Abaixo estão algumas delas:

  • Alta demanda: atualmente, no Brasil, mais de 3 milhões de pessoas fazem consumo constante da maconha. Esses usuários são estigmatizados e sofrem com inseguranças para fazer a compra, mas eles existem e são responsáveis por um mercado avaliado em 26 bilhões de reais
  • Fator ambiental: a produção do cânhamo pode ter emissão de carbono negativa, desde que seja feita de maneira sustentável e orgânica, além de outdoor;
  • É possível identificar que o debate sobre a legalização da cannabis faz parte de uma tendência mundial disruptiva;
  • Independente dos anos de proibição, existe um fator essencial e que foi pouco levado em consideração: o consumo de maconha faz parte da cultura e história do país,mais especificamente de rituais que foram importados da cultura africana e trazidos ao Brasil por meio dos escravizados. Consertar o erro, regulamentando a cannabis, é uma das maneiras de se iniciar uma reparação histórica necessária;
  • Além da regulamentação e legalização, é importante pensarmos nas ações por trás desse movimento de reparação, como as pessoas presas que serão reintroduzidas na sociedade. É preciso garantir oportunidade de trabalho para quem está empregado pelo tráfico e tantas outras questões essenciais a esse movimento; 
  • Acerca do mercado de trabalho, mesmo hoje o tráfico de drogas empregando pessoas, estas não têm qualquer respaldo ou segurança com o governo. Portanto, tirar esse mercado da ilegalidade significa criar milhares de empregos regulados e seguros para garantir uma maior parcela da sociedade sendo economicamente ativa.

Ficou curioso para entender melhor o tamanho que esse mercado pode ter no Brasil? Sugerimos que confira o nosso último relatório: O Impacto Econômico da Cannabis no Brasil. Lá, você encontra o potencial tamanho de mercado da cannabis, o número de usuários que seriam impactados com a legalização, o potencial tributário que o país tem e quais os principais indicadores que precisamos medir na hora de desenhar uma regulamentação da planta no país.

E com relação a essas oportunidades da cannabis no Brasil, você concorda com eles ou acha que deixamos algo de fora?

Como esse tipo de análise é extenso e requer que diversos pontos sejam levantados e analisados, decidimos fazer uma série sobre esse tema. Nas próximas semanas será possível acompanhar o último texto dessa série, sobre:

Quer conhecer mais sobre o cenário atual do mercado de cannabis para fins medicinais no Brasil? Confira o último relatório da Kaya Mind.

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