Quantos usuários de maconha existem no Brasil?

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Lara Santos

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Estudo aponta que 7,7% dos brasileiros já usaram maconha, mas outras pesquisas evidenciam como esse número pode ser bem maior

Ainda que o uso adulto da cannabis seja ilegal no Brasil e em outros países, isso não significa que esse mercado é inexistente. Mesmo sem regulamentação, existe uma movimentação relevante nesse setor, com a planta sendo importada para o país ou até mesmo cultivada ilegalmente dentro do território nacional, afinal, são muitos os usuários de maconha para fins recreativos. Esses mesmos consumidores, inclusive, também movimentam essa indústria por meio do uso de outros produtos relacionados, como aqueles disponíveis nas tabacarias – tabaco, seda, isqueiros, filtros, piteiras e mais.  

No entanto, é natural se perguntar qual o perfil e o tamanho desse público que faz o uso recreativo da cannabis, até porque, com números, é possível entender o potencial que a regulamentação dessa forma de consumo poderia ter no país.

Quem mais consome maconha no Brasil? 

usuário de maconha
usuário de maconha

Existem poucas pesquisas que podem, de fato, calcular quem mais consome maconha no Brasil. No entanto, um estudo de 2010 em 27 capitais, do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), mostrou que os estudantes do ensino fundamental e médio da região Sul do país eram campeões no consumo de drogas, liderando no uso da maconha com 12,9%. O mesmo levantamento apontou Florianópolis como a capital com maior consumo de cannabis. 

Em uma pesquisa de 2018, chamada Cannabis Price Index 2018, no entanto, estabeleceu-se que a cidade de São Paulo é a 14ª do mundo onde mais se fuma maconha, sendo 16,55 toneladas consumidas todos os anos. Já o Rio de Janeiro apareceu em 28º lugar, com 8,69 toneladas fumadas a cada ano. Para curiosidade: a cidade de Nova York apareceu em 1º lugar como a cidade onde mais se fuma no mundo. 

Quantos usuários de maconha existem no Brasil? 

No 3º Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas Pela População Brasileira, realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 2017, 7,7% de brasileiros afirmaram que já utilizaram maconha, haxixe ou skunkuma vez. 

O estudo, que foi considerado o maior sobre uso de drogas no Brasil, levou em conta, aproximadamente, 17 mil pessoas de 12 a 65 anos e apontou que a cannabis é a substância ilícita mais usada no país. Mesmo diante de um resultado relevante, outras pesquisas e outros fatores apontam que o número de usuários de maconha pode ser ainda maior. 

A apreensão em larga escala de substâncias ilícitas no Brasil é um deles. Em 2020, a quantidade de cannabis apreendida atingiu níveis maiores do que no ano anterior, por conta do baixo movimento nas estradas e, portanto, maior facilidade na fiscalização, entre outros motivos. As inúmeras toneladas apreendidas anualmente mostram que o consumo no país é muito maior do que o previsto pelo estudo da Fiocruz, pois, se a oferta é alta, pode-se afirmar que a demanda segue esse mesmo padrão. É possível entender esse tema mais a fundo no relatório Impacto Econômico da Cannabis, lançado no dia 15 de junho. 

Além disso, um levantamento realizado pelo Senado  mostrou como o preconceito ainda é um empecilho para as pessoas admitirem que usam ou já usaram maconha: 78% afirmam conhecer alguém que já utilizaram a erva, enquanto apenas 7% dizem ter utilizado. Com o proibicionismo e a guerra às drogas, criou-se uma imagem extremamente negativa a respeito do usuário de cannabis, com a qual os usuários não querem estar associados. Assim, preferem mentir ou omitir em pesquisas, o que comprova como o número de usuários é muito maior do que o apresentado. 

O status atual da cannabis para fins medicinais no Brasil é outra evidência de como a quantidade de pessoas que usam maconha é subestimada. Segundo um estudo do CIVI-CO, que ouviu mil pessoas pelo país, 70% da população brasileira apoia a medicina canabinoide e 76% têm conhecimento sobre as possíveis aplicações médicas e terapêuticas da planta. Isso significa que há uma abertura a respeito desse tema, além de um entendimento dos efeitos da erva – o que não pode ter acontecido somente por causa de seu uso medicinal, já que é uma vertente recentemente explorada e disseminada no Brasil. 

Diante desses fatos, pode-se dizer que a regulamentação do uso adulto da cannabis no país ofereceria grandes benefícios por atender diversas pessoas. Além de promover uma reparação histórica aos danos causados pelo período de proibição, uma grande parte da população seria contemplada e, então, novos negócios e empregos surgiriam dentro desse mercado. Você pode conferir mais detalhes sobre esse assunto no relatório Impacto Econômico da Cannabis, no qual foram abordados outros dois usos da planta: o medicinal e industrial. 

Qual o número de usuários de maconha no mundo? 

Segundo o Relatório Mundial sobre Drogas divulgado em 2020 pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), a cannabis é a substância mais usada no mundo, sendo consumida por 192 milhões de usuários no mundo. E, mesmo que muitos países tenham avançado na regulamentação da planta ao redor do mundo, a maconha, de 2014 a 2018, correspondeu a mais da metade dos casos de crimes relacionados à legislação antidrogas.  

Isso aponta como a regulamentação é importante, já que o consumo acontece mesmo na ilegalidade – tanto que ela se tornou a principal substância a ser consumida no mundo – e muitas dessas pessoas são penalizadas criminalmente por tal, o que acaba sobrecarregando o sistema carcerário de diversos países e também afetando negativamente a vida desses indivíduos. É essencial, portanto, que diante de uma mudança na lei, a regulamentação seja inclusiva e voltada à reparação histórica das populações que foram impactadas pelo proibicionismo.

Uma resposta

  1. Tudo isso q foi dito.e tudo verdade.
    Se a (canabis) fosse legalizada (+logo)
    consequentemente.+ empregos.menos apriençoês(detentos).
    Sen falar na ($$economia a longo prazo)
    .economia q vai gerar+investimento na (saúde)(educação)(saneamento básica)
    esporte lazer…por experiência+++produção em vários setores de trabalho.E por aí vai…

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