O vínculo entre as mulheres e a maconha

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Lara Santos

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Da biologia da cannabis aos negócios, o sexo feminino está diretamente envolvido com diversas questões e benefícios da planta.

Ainda que o cenário canábico esteja mudando, o consumo de maconha continua maior entre homens do que mulheres e, consequentemente, é erroneamente mais associado ao sexo masculino. No entanto, a relação entre a planta e o sexo feminino é extremamente potente, sendo, inclusive, transformadora nos âmbitos da saúde, sexual e profissional.

Essa conexão vem desde a biologia da maconha. A Cannabis sativa, nome científico da planta que engloba todas as suas variações, tem espécies de estruturas femininas e masculinas, com características muito diferentes entre si. Enquanto a masculina têm sacos de pólen para formar sementes, a feminina é responsável pela produção dos buds (flores ou frutos, em português) tão preciosos para a humanidade e a indústria, com seus canabinoides, terpenos, flavonoides e tantas outras propriedades que propiciam o uso medicinal e recreativo da erva. 

Influência da maconha no sistema reprodutivo 

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Mulher segurando folha de cannabis

A planta também tem um vínculo importante com as mulheres quando se diz respeito à saúde física, mental e sexual. O sistema endocanabinoide, que visa garantir o equilíbrio do organismo humano, é composto por neurotransmissores endógenos, chamados de endocanabinoides, que existem em diversas regiões do corpo, inclusive no sistema reprodutivo feminino. Eles podem ser encontrados no útero, nas trompas, nos ovários, na vagina e na vulva, influenciando as sensações, o controle de inflamações, secreções hormonais, bem como os prazeres e as dores. É por isso que muitos profissionais da saúde tentam entender melhor qual é a relação da cannabis com as dores da endometriose, fizemos uma matéria completa a respeito desse assunto.

O fato da maconha ter seus próprios fitocanabinoides ou canabinoides (THCCBD e mais de 100 outros), que atuam semelhantemente aos endocanabinoides, sugere o seu efeito no sistema reprodutivo feminino. Ainda que existam poucos estudos a respeito do assunto, sabe-se que a cannabis era utilizada para tratar diversas condições femininas antes do proibicionismo. Médicos do século XIX publicaram artigos sobre o tratamento de sangramentos menstruais intensos por meio da cannabis; um texto da Pérsia antiga (atual Irã), no século IX, mencionou o uso da planta em relação à dores uterinas, prevenção de abortos espontâneos e à preservação de fetos nos ventres maternos; em 1862, um outro profissional de medicina alegou que a maconha ajudava positivamente as crises de vomito durante a gravidez; diversos documentos antigos, desde 1500 a.C., associaram o uso da erva como auxílio nos partos; e relatos apontam que até a rainha Vitória, da Inglaterra, usava a maconha como alívio para suas dores menstruais. 

Pesquisas mais recentes buscam compreender com mais precisão a relação entre a cannabis e a gestação e a amamentação. Enquanto algumas apontam possíveis riscos do uso, outras demonstram que poderia haver um consumo seguro e, inclusive, um alívio de sintomas da gestação, como o enjoo matinal. 

Como a cannabis afeta sexo e bem-estar

Mulher cuidando de uma crinaça
Mulher cuidando de uma crinaça

Na maioria das situações, o consumo de cannabis durante a gravidez não é recomendado, mas as evoluções de pesquisas e casos específicos mostram que é efetivo para tratar cólicas, TPM, endometriose, menopausa e outras questões. Um estudo, publicado em 2019, analisou 484 mulheres australianas com endometriose e, destas, 76% relataram usar técnicas de automedicação. A maconha, utilizada por 13% das entrevistadas, se mostrou a mais eficaz no controle da dor. Afinal, o CBD age na mesma enzima que o ibuprofeno, opióide frequentemente usado para aliviar cólicas, e, em conjunto com o THC, diminui o processo inflamatório e a intensidade da dor. 

Além do uso para problemas menstruais, a erva alivia dores, tensões e a ansiedade durante as relações sexuais. Uma pesquisa, desta vez realizada pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, reuniu 452 mulheres que tinham de responder um questionário sobre desejo, excitação, lubrificação, orgasmo, satisfação e dor. O resultado mostrou que as participantes que usavam maconha diariamente tiveram uma pontuação maior que as outras, ou seja, eram mais satisfeitas sexualmente. 

Para entender todas as formas em que o consumo da cannabis pode afetar a sua vida sexual, sugerimos a leitura do nosso artigo sobre Beneficios e diferenciais de se fazer sexo com cannabis e conheça os principais produtos à base de cannabis que estão disponíveis para compra no Brasil.

Há também indícios de que a planta age como um afrodisíaco. De acordo com um breve documento divulgado pela Reuters, 1/3 das mulheres nos EUA já usaram cannabis antes do sexo e reportaram um aumento de desejo sexual, luxúria e a melhora dos orgasmos.

Em relação à saúde mental, um estudo apontou que a maconha, em doses pequenas, pode diminuir os sintomas da depressão, tornando-se um antidepressivo efetivo por produzir serotonina. Atualmente, mais de 264 milhões de pessoas sofrem da doença no mundo, sendo as mulheres mais impactadas que os homens. Isso porque o sexo feminino tem um risco duas vezes maior de desenvolver depressão, segundo a Universidade da Califórnia, no país estadunidense.

Mulheres ocupam 1/3 dos cargos de liderança no meio canábico 

Saindo do âmbito da saúde, pode-se observar uma mudança positiva na vida profissional das mulheres causada pela maconha. Com o avanço das regulamentações acerca da planta e, por consequência, de um crescimento mundial da indústria canábica, novas oportunidades no mercado de trabalho vem surgindo. Conforme uma reportagem da CNBC, canal norte-americano dedicado às notícias de negócios, 77.000 novos empregos surgiram no setor em 2020. Destes, a maioria foi ocupada por mulheres – em 2019, 39% eram desempenhados por pessoas do sexo feminino e, em 2020, eram 42%. Além disso, outro dado sugere uma informação importante: quase metade dos trabalhadores do setor estiveram nele por um ano ou menos, o que aumenta a chance da ocupação de cargos maiores por parte das mulheres.

E isso já vem acontecendo. O relatório de 2019 da Marijuana Business Daily, “Mulheres e Minorias na Indústria da Cannabis”, mostrou que, no mercado da cannabis nos Estados Unidos, quase 37% da liderança é feminina, o que corresponde a 1/3 dos executivos de empresas da área. Por outro lado, a média para todos os negócios no país é de apenas 21%. No Brasil selecionamos algumas mulheres que são porta-vozes desse mercado no país e que são empreendedoras no segmento.

Mas as profissionais da indústria da maconha não são apenas empreendedoras. Há cientistas, pesquisadoras, jornalistas, analistas, médicas, designers e tantas outras que acreditam no potencial da planta e auxiliam no desenvolvimento do setor ao redor do mundo. Nisso, a cannabis de estrutura feminina e as mulheres também estão conectadas: ambas são imprescindíveis para o mercado da planta que se conhece hoje. 

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