Os dados mais importantes do mercado da cannabis em 2022

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Ao longo de sete meses, foi possível coletar diversas informações sobre o mercado de cânhamo, cannabis medicinal para pets e sobre os consumidores de cannabis medicinal no Brasil

Em sete meses do ano de 2022, já foram coletados dados muito importantes sobre o mercado da cannabis, os quais são capazes de mostrar o potencial atual e futuro dessa indústria no Brasil. Foram informações sobre o cânhamo e o mercado de cannabis medicinal para pets, sendo esses os temas dos dois relatórios lançados pela Kaya Mind nesse ano, além de dados sobre o perfil e comportamento de consumo dos participantes do Medical Cannabis Fair, evento sobre cannabis medicinal que aconteceu em São Paulo. 

 

Mesmo sem regulamentação, Brasil já foi grande importador de cânhamo 

Mercado da cannabis dados importantesO relatório “Cânhamo no Brasil” apontou que a regulamentação de cânhamo poderia trazer uma série de vantagens para o Brasil no âmbito econômico, industrial e ambiental. 

De acordo com os dados coletados para o documento, o cânhamo têm 3 vezes mais resistência à tração do que o algodão, além de necessitar de pouca água para seu cultivo – 1 kg de cânhamo utiliza de 2.900 litros de água, enquanto 1 kg de algodão, 10 mil litros – e quase não precisar de nenhum pesticida, fungicida ou herbicida para se desenvolver bem, já que resiste às pragas em um nível acima da média.  

Ainda, o cânhamo não requer uma grande área de cultivo, sendo que cada planta pode crescer em uma distância de 10 a 15 cm uma da outra, além de render até três  safras ao ano, por conta de seu ciclo de produção curto, que dura de 130 a 220 dias, dependendo de seu tipo, por exemplo. 

A Kaya Mind também jogou luz a dados sobre o histórico de estados brasileiros com o cânhamo. Mesmo em contradição à lei, que não permitia o uso de derivados da cannabis ou cânhamo, o Brasil tem registros de importações de insumos do cânhamo desde 1999, mas foi só nos anos de 2007 e 2008 que esses números tiveram um aumento significativo.  

Nesse período, o estado de São Paulo trouxe de Bangladesh mais de 100 toneladas de cânhamo bruto. Ainda, em 2010 e 2011, também houve um salto considerável – o estado do Paraná importou da Bélgica mais de 40 toneladas de cânhamo em estopas e outras formas não fiadas. No ano de 2021, é possível observar outra ascensão no total de importações, pois os estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Santa Catarina compraram uma grande quantidade de fios de cânhamo vindos da China – por volta de 7,  5 e 1,5 toneladas, respectivamente. 

Viu-se que, em relação ao volume de cânhamo exportado pelo Brasil por região/bloco econômico, 114,9 toneladas foram provenientes da Ásia, 21,5 toneladas da União Europeia, 4,9 toneladas da América do Norte e 150 kg da América do Sul. 

Além dessas informações, o material também mostrou o mercado potencial do cânhamo, já publicado em 2021 com o relatório Impacto Econômico da Cannabis, as indústrias que poderiam ser impactadas pela regulamentação da planta, as diferenças entre o óleo de CBD e o óleo de semente de cânhamo, uma análise sensível sobre a relação entre lucro e quantidade de cultivo de cada parte da planta e mais.  

 

Principais dados sobre o cânhamo no Brasil: 

  • Cânhamo tem 3 vezes mais resistência à tração do algodão; 
  • 1 kg de cânhamo utiliza 2.900 litros de água, enquanto de algodão, 10.000 litros;
  • São Paulo importou mais de 100 toneladas de cânhamo bruto entre 2007 e 2008;  
  • 114,9 toneladas de cânhamo importadas pelo Brasil vieram da Ásia. 

 

Mercado de cannabis para pets pode movimentar bilhões 

Assim como os seres humanos, os animais de estimação também podem ter suas condições médicas tratadas pelo uso medicinal da cannabis. Segundo o sexto relatório da Kaya Mind “Cannabis no mercado pet”, caso houvesse uma regulamentação da planta para fins veterinários, o Brasil teria uma movimentação de mercado de até R$ 1,45 bilhão, gerando até R$ 109,5 milhões de arrecadação de impostos.  

Além disso, os dados apontaram que mais de 555 mil animais de estimação poderiam ser beneficiados por tratamentos com cannabis no Brasil, sendo 498.629 cães e 56.623 gatos, o que equivale a 15% da população total de cachorros e 12% da de gatos, considerando animais vacinados, com tutores acima dos 24 anos e que vão ao veterinário pelo menos uma vez a cada três meses.  

O documento também mostrou que já existem por volta de 230 produtos no mercado que poderiam ser usados pelos pets – esse número corresponde à quantidade mapeada pela Kaya Mind durante a pesquisa. Ainda, foi possível analisar que mais de 120 marcas poderiam atuar nessa indústria, se fosse regulamentado.  

Além dessas informações, o relatório trouxe  informações sobre a  dosagem indicada para uso veterinário, a quantidade de publicações científicas que existem em torno do tema, as principais condições médicas que acometem os cães e gatos, entre outras. 

 

Principais dados do mercado de cannabis no setor pet: 

  • Tamanho de mercado de até R$ 1,45 bilhão;
  • R$ 109,5 milhões de impostos arrecadados;
  • Mais de 555 mil animais de estimação poderiam ser tratados com cannabis;
  • Por volta de 230 produtos poderiam ser usados pelos pets;
  • Mais de 120 marcas internacionais e nacionais que poderiam atuar na indústria.

 

Tanto homens quanto mulheres têm interesse em cannabis medicinal  

De acordo com uma pesquisa realizada na Medical Cannabis Fair 2022, que aconteceu em São Paulo, do dia 3 a 6 de maio, a Kaya Mind estudou o cenário do mercado da cannabis e traçou um perfil sociodemográfico e de comportamento de consumo dos participantes do evento. 

Entre os 1.022 entrevistados, viu-se que há um balanço de gênero entre os interessados setor de cannabis medicinal no Brasil, com cerca 50% do público sendo masculino e 49% feminino. Os outros 1% preferiram não declarar.  Ainda, foi possível analisar que as mulheres entrevistadas tinham um nível de graduação maior do que os homens; 29,7% do público do gênero feminino tinha pós-graduação, contra 24,5% do público masculino.  

Segundo o estudo, também concluiu-se que os principais objetivos das pessoas no evento eram conhecer mais sobre o setor (fator considerado em aproximadamente 37,3% das respostas) e conhecer as empresas que já trabalham na área (22,7%). Em seguida, os próximos lugares no ranking eram: fazer negócios (18,6%); entender como esse mercado pode impactar o seu setor (14,7%) e buscar emprego (6,5%).  

 

Principais dados dos stakeholders do mercado da cannabis medicinal: 

  • 1.022 entrevistados no Medical Fair;
  • 50% do público na Medical Cannabis Fair era masculino, contra 49% feminino;
  • 29,7% do público feminino tinha pós-graduação, contra 24,5% do público masculino;
  • 37,3% dos entrevistados tinha como objetivo no evento conhecer mais sobre o setor.

 

Todas essas informações citadas são estratégicas de algum ponto de vista, pois traçam as futuras oportunidades do setor e também conscientizam sobre o momento atual da indústria da cannabis no país. Elas variam entre projeções de mercado, quantidade de pacientes a serem atendidos, números de importação já realizados no país e muito mais.  

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