Carne vegetal à base de cânhamo

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A semente do cânhamo é conhecida como uma superfood, além de ter baixas calorias, altos níveis proteicos e oferecer a possibilidade de ser base para carnes vegetais

Quem imaginaria que o cânhamo, uma das subespécies reprodutivas da cannabis que, normalmente, tem menos de 0,3% de THC, poderia produzir até mesmo carne vegetal? Dependendo do nível de conhecimento que o leitor tem sobre as propriedades e utilizações variadas da maconha e, especialmente, do cânhamo, saberia que as sementes presentes em sua estrutura masculina é altamente proteica e nutritiva. Assim, elas fazem parte do grupo que surge como uma alternativa a dietas carnívoras tradicionais. Neste texto iremos explicar mais sobre a carne vegetal de cânhamo.

Com esforços contínuos para estilos de vida mais saudáveis e regulamentações sobre a cannabis e suas variações sendo flexibilizadas em todo o mundo, algumas empresas vêm criando produtos que aproveitam o valor nutricional das sementes de cânhamo. Elas não são apenas mais saudáveis do que os produtos de carne tradicionais, mas também não prejudicam os animais.

 

Os movimentos por um estilo de vida mais saudável

carne vegetal de cânhamoNos últimos anos, pessoas em todo o mundo se tornaram mais conscientes sobre a importância da saúde e do bem-estar. Para alinhar a terminologia, as palavras “saúde” e “bem-estar” são geralmente descritas como estados de boa disposição física e psíquica de um indivíduo.

Na maioria das vezes, alcançar uma ótima saúde mental e física envolve um mergulho profundo nos mercados de saúde e bem-estar. É possível acompanhar, por meio de estudos, que as pessoas que desejam ter um estilo de vida mais saudável devem se concentrar no desenvolvimento de bons hábitos alimentares, ao lado de um estilo de vida ativo, onde o condicionamento físico é a principal prioridade.

Em meio a uma pandemia global, a busca por alternativas mais saudáveis tem sido ainda mais crescente. Algumas dietas adquirem cada dia mais seguidores, em especial a do vegetarianismo e as dietas sem glúten e lactose. No Brasil, segundo pesquisa do Ibope e publicada pelo Sebrae, 15,2 milhões de brasileiros se declaram adeptos do vegetarianismo, representando 8% da população do país. Além disso, esse público cresce entre a terceira idade.

Segundo dados da agência de pesquisa Euromonitor, analisados pelo Sebrae, o mercado de alimentação saudável, também relacionado ao bem-estar, cresceu muito no Brasil e movimenta US$ 35 bilhões anualmente, ocupando o lugar de quarto maior mercado do mundo. Considerando esses valores e uma tendência mundial que enxerga no cânhamo uma alternativa a muitas formas de consumo não sustentáveis, pode-se dizer que o setor alimentício é um dos principais onde a cannabis pode trazer um impacto positivo e de alta abrangência.

 

Sementes de cânhamo como uma alternativa mais saudável

carne vegetal de cânhamo

Porém, como o cânhamo poderia surgir como uma alternativa? De forma expressiva, a principal mudança viria a partir das sementes de cânhamo que contêm níveis de proteína semelhantes aos da carne bovina e de cordeiro. Com 25% de suas calorias provenientes de proteínas, apenas 30 gramas de sementes de cânhamo, isto é, de 2 a 3 colheres de sopa, contêm cerca de 11 gramas de proteína. Mais do que isso, as sementes de cânhamo são consideradas uma fonte de proteína completa – algo raro no mundo das plantas –, o que significa que fornecem todos os aminoácidos essenciais para uma dieta balanceada.

As sementes de cânhamo são conhecidas como superfoods (superalimentos, em português) ou super sementes, especialmente por serem ricas em gorduras saudáveis e ácidos graxos essenciais, bem como vitaminas e minerais como vitamina E, ferro, potássio, magnésio, cálcio, enxofre, zinco e sódio. Elas também são matéria prima para outros produtos de origem animal além da carne, como leite e queijos.

 

A carne vegetal de cânhamo produzida por suas sementes

Uma das principais diferenças dos produtos de carne tradicionais é que as sementes contêm muitas fibras – tanto a variedade solúvel quanto a insolúvel. Assim, se tornam mais fáceis de digerir do que outras fontes de proteína, como grãos, nozes e leguminosas.

Considerando todos esses benefícios e um mercado que busca essas alternativas, pesquisadores e startups começaram a desenvolver produtos semelhantes à carne a partir das sementes. Pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, por exemplo, conseguiram criar uma ‘carne vegana’ de maconha que se assemelha à textura da carne animal.
Além dessa iniciativa, existe também, na Nova Zelândia, uma empresa de tecnologia alternativa de alimentos de proteína, a Sustainable Foods, que está se preparando para lançar em 2021 uma nova carne derivada de plantas, dessa vez de cânhamo, que será rica em proteínas e fibras e minimamente processada. De acordo com o site oficial da empresa, o lançamento ainda não tem data, mas foi possível observar que a companhia já vende uma gama de produtos de carne à base de plantas, alguns dos quais incorporam sementes de cânhamo, mas ainda não usam a espécie como sua principal base.

Nessa frente, a Roots de Israel, em conjunto com um player da República Checa, a CzecHemp, também pretendem desenvolver um ou mais produtos que tenham a semente de cânhamo como base. Atualmente, a CzecHemp colabora com instituições acadêmicas para desenvolver uma variedade de métodos próprios para aumentar a proteína do cânhamo das sementes, a fim de elevá-la a níveis mais altos. Enquanto isso, a Roots colabora com parceiros da indústria e cria estratégias de entrada no mercado que permitiriam os produtores e criadores de produtos a usar uma tecnologia, chamada de RZTO, para a produção de plantas à base de proteína que podem ser aproveitadas pela crescente indústria de carnes artificiais.

São muitos os produtos e soluções que podem ser pensados a partir do uso do cânhamo, seja nas flores, sementes ou fibras, desde que haja uma regulamentação para isso. Nos últimos 20 anos, já foi possível acompanhar a transformação desse mercado, e o valor econômico e sustentável dessa cultura tem sido disseminado por todo o mundo. Agora, é necessário observar como será a evolução dessa indústria no Brasil e na América Latina, bem como entender quais serão as possibilidades de mercado desenvolvidas a partir disso.

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