Overdose de maconha: é possível acontecer?

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Não há registros de mortes por overdose de maconha e consequências graves também são improváveis, mas alguns fatores devem ser observados com cautela.

Sintomas indesejados após o consumo de diferentes substâncias podem ser comuns. O principal ponto é: tudo depende da definição da palavra overdose. Quando se fala nesse termo, as pessoas pensam em consequências fatais, como se toda overdose levasse a morte. A partir disso, muita gente se pergunta se é possível alguém sofrer uma overdose de maconha.

O que é uma overdose?

Overdose é uma palavra em inglês que significa “superdose”. Esse termo é usado no campo da saúde para se referir as alterações que ocorrem no organismo quando ele é exposto a uma quantidade excessiva de alguma substância, e resulta em efeitos adversos graves e potencialmente fatais. É uma emergência médica que requer atenção imediata e tratamento adequado. Apesar das overdoses ocorrerem em função do uso excessivo de quaisquer substâncias, inclusive medicamentos, são associadas ao uso de drogas com muita frequência.

É possível ter uma overdose de maconha?

Se você também tem essa dúvida, pode se tranquilizar. Não há registros por morte em função do consumo excessivo de maconha, ou seja, a maconha não é responsável por casos de overdose fatal. Apesar de estarmos suscetíveis a vivenciar alguma situação crítica em decorrência do uso abusivo de qualquer substância, nem todas levam a morte, e a maconha é considerada a droga mais segura para o consumo quando se trata de consequências graves, justamente por não ser possível sofrer uma overdose de maconha.

Estudos científicos compararam os riscos entre sete drogas lícitas e ilícitas e concluíram que a cannabis é uma substância mais segura a que o álcool e o tabaco. Apesar de regulamentados, tanto o uso de tabaco quanto o de álcool são considerados fatores de risco para câncer e outras doenças graves, e a causa de milhares de mortes por ano. No caso de mortes por uso abusivo, falaremos sobre as substâncias mais perigosas adiante.

Por que as consequências do uso da cannabis não são fatais?

A cannabis possui componentes que provocam efeitos psicoativos, sendo o principal deles o tetra-hidrocanabinol (THC). Quando a maconha é consumida, o THC se liga a receptores específicos no cérebro, produzindo efeitos psicoativos, mas o THC não é considerado uma substância perigosa.

Essa substância pode provocar efeitos positivos ou negativos, e cada pessoa pode reagir de forma diferente ao THC.  As sensações dependem de uma série de fatores como a dose, da frequência, forma de consumo, bem como da sensibilidade, metabolismo e tolerância individual. É necessário consumir mais THC do que humanamente possível para um resultado fatal. Mesmo com comestíveis a base de maconha, muito provavelmente a pessoa atingiria um nível fatal de açúcar ou sal antes de ter problemas graves com o THC. Diferente dos opioides e do álcool, a cannabis não possui substâncias depressoras do sistema nervoso central, portanto a overdose de maconha é possível ocorrer, mesmo quando usada potências e quantidades altas.

Os efeitos da cannabis ocorrem, pois, nosso corpo possui um conjunto de receptores canabinoides que formam o sistema endocanabinoide. Esse sistema é encontrado no corpo humano e desempenha um papel crucial na regulação de diversas funções do organismo, como controle da dor, humor, apetite, sono, memória, resposta inflamatória, entre outras. O sistema endocanabinoide é o alvo de compostos presentes na planta de cannabis, chamados de canabinoides exógenos, como o THC (tetra-hidrocanabinol) e o CBD (canabidiol). Essas substâncias interagem com os receptores canabinoides e produzem efeitos psicoativos e terapêuticos.

A overdose por cannabis também é improvável em função dos quase inexistentes receptores canabinoides nos centros respiratório e cardiovascular do tronco cerebral. Os registros de morte por overdose erroneamente associados à cannabis se dão em detrimento do uso de substâncias produzidas em laboratórios, chamadas de canabinoides sintéticos ou ao uso conjunto com outras substâncias mais agressivas.

E o que pode acontecer com quem consumir maconha em excesso?

Essa resposta não é tão simples pois vários fatores devem ser levados em consideração. Além do sistema endocanabinoide e das particularidades de cada organismo, como condição de saúde preexistente, pré-disposição a distúrbios psiquiátricos, contexto de uso, via de administração e outros exemplos, também podemos levar em conta a qualidade do produto.

overdose de maconha

A falta de regulamentação em relação a cannabis resulta na dificuldade de garantir a sua qualidade. Sem saber a procedência de qualquer produto, não é impossível ter acesso a ervas contaminadas por alguma toxina ou resíduo provenientes de outras drogas, inclusive contaminação por substâncias sintéticas de alta potência. Diante disso, efeitos colaterais graves não são descartados. No entanto, quando se trata da cannabis consumida de forma segura, não há registros de consequências fatais em função do seu uso.

Overdoses são caracterizadas pelo uso de doses maiores do que aquelas que o organismo consegue suportar, mas mesmo que a pessoa consuma uma quantidade de maconha que seu corpo seja incapaz de processar, provavelmente, essa pessoa irá lidar apenas com os efeitos adversos como tontura, vômito ou ansiedade.  Em alguns casos, o consumo de maconha pode resultar em efeitos colaterais como a bad trip e o teto preto, mas consequências fatais podem ser improváveis.

Nesse sentido, existe uma variedade bem heterogênea nesse tipo de experiência, mas na maioria dos casos, se trata de períodos de curta duração, que não costumam ser clinicamente importantes.

Mas qual são os limites seguros de maconha?

Mesmo não sendo possível sofrer uma overdose de maconha, não há estudos que delimitam doses seguras da substância. A resposta varia de pessoa para pessoa e depende de diversos fatores. Como as reações são muito particulares, cada pessoa pode precisar de diferentes doses para apresentar sintomas como os da bad trip ou do teto preto.

Consumidores iniciantes devem se atentar principalmente a velocidade do consumo. Ao fumar ou ingerir maconha em doses menores, é mais fácil para reconhecer as reações, limites e condições ideais. Dependendo da via de administração, a substância é metabolizada de forma diferente, mas não são consideradas letais independente da forma de consumo. Por ser muito versátil, há diversas formas de consumir cannabis e estratégias de redução de danos podem ser aplicada em muitas delas.

Overdoses de outras substâncias – o que fazer

É nítido que existem diferenças claras na possibilidade e gravidade de sofrer uma overdose por uso de cannabis em comparação com muitas outras drogas.

Algumas substâncias carregam um risco muito maior de overdose letal. Por exemplo:

1. Opioides: Os opioides mais populares são a heroína e algumas substâncias utilizadas para tratar dores crônicas como a morfina e o fentanil. Opioides são substâncias depressoras do sistema Nervoso Central, em excesso, podem diminuir a frequência e a profundidade da respiração, o que ocasiona parada respiratória e eleva os riscos de morte.

2. Cocaína: é uma substância estimulante do Sistema Nervoso Central e seus efeitos se manifestam de forma contrária as drogas depressoras. O uso excessivo de cocaína pode causar problemas cardiovasculares, ataques cardíacos, acidente vascular cerebral (AVC).

3. Mentanfetaminas: Por se tratar de uma droga estimulante, suas overdoses fatais se dão pela ocorrência anormal de descargas elétricas no cérebro, que podem ocasionar aumento severo da temperatura corporal, problemas cardíacos e convulsões.

4. Sedativos: Medicamentos sedativos e hipnóticos como Diazepam e Alprazolam podem causar a diminuição da frequência respiratória e cardiovascular e resultar também em overdoses letais

5. Álcool: O álcool também age como depressor do Sistema Nervoso Central, e pode resultar em parada respiratória, aspiração de vômito, entre outros problemas que podem extremamente graves.

Os sintomas de uma overdose podem variar bastante, mas alguns sinais são comuns são fáceis de identificar:

  • Dificuldade de respirar ou respiração lenta
  • Batimentos cardíacos acelerados ou irregulares
  • Perda de consciência
  • Confusão mental intensa
  • Agitação
  • Palidez ou pele azulada
  • Dores no peito ou no abdômen
  • Paralisia
  • Dificuldade de enxergar
  • Convulsões
  • Vômitos

Se você suspeitar de uma overdose ou presenciar alguma situação em que alguém que possa estar sofrendo uma overdose, é importante buscar ajuda médica imediatamente. Ligue para o serviço de emergência local ou leve a pessoa para o hospital mais próximo. Se possível, o ideal é fornecer informações detalhadas sobre a substância consumida e a quantidade aproximada.

Por fim, overdose é um tema muito sério, principalmente quando se trata de consequências tão críticas.  A desinformação sobrecarrega todo o cenário da cannabis, e o uso recreativo também está saturado de mitos. O consumo da maconha é milenar e nenhum estudo associa fatalidades em decorrência do uso seguro da planta. Desmistificar é extremamente importante, pois outras substâncias potencialmente perigosas, incluindo medicamentos usados sem prescrição médica são frequentemente a real razão de overdoses e merecem cuidados e restrições maiores em relação ao seu consumo.

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