Maconha e outras drogas: entenda a interação da cannabis com outras substâncias

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O uso conjunto da maconha e outras drogas pode oferecer sérios riscos para a nossa saúde, entenda essa interação.

Já falamos diversas vezes sobre os perigos da interação entre substâncias como medicamentos e drogas variadas. Mas a principal dúvida a ser discutida aqui é se o uso conjunto de maconha e outras drogas pode oferecer riscos para a nossa saúde física ou mental. 

Apesar de ser considerada uma substância leve e natural, o uso concomitante de maconha com outros elementos realmente pode resultar em interações perigosas. Cada droga pode se encaixar em uma categoria específica que provoca determinados efeitos no nosso organismo. Vamos entender essas classificações: 

Tipos de substâncias (drogas)

Depressoras: drogas depressoras são elementos que diminuem a atividade do sistema nervoso central, resultando em efeitos sedativos, relaxantes musculares, e em alguns casos, até mesmo na depressão do sistema nervoso central. Essas substâncias têm a capacidade de desacelerar as funções cerebrais e diminuir a atividade do sistema nervoso, levando a uma redução da ansiedade, sedação e sonolência. Quando usadas em excesso podem reduzir a pressão arterial e os batimentos cardíacos, provocar desmaios e oferecer outros riscos graves. Exemplos: Álcool, sedativos e medicamentos como benzodiazepínicos e opioides.

interação maconha e outras drogas

Estimulantes: os efeitos das drogas estimulantes se manifestam de forma contrária as drogas depressoras. Elas aumentam a atividade do sistema nervoso central, produzindo um aumento da energia, da atenção, da vigilância e da excitação. Essas substâncias também possuem a capacidade de estimular a atividade cerebral, aumentar a frequência cardíaca, a pressão arterial, a frequência da respiração, causar convulsões, entre outros sintomas. Isso acontece porque essas drogas induzem o corpo e o cérebro a trabalharem intensamente e além do que ele é capaz de suportar. Exemplos: Anfetaminas, cocaína, nicotina, cafeína, ecstasy/mdma.

Alucinógenos: são elementos que afetam a percepção, os pensamentos e as emoções, resultando em experiências sensoriais intensas, promovendo alucinações visuais e auditivas. Essas drogas afetam principalmente o sistema serotoninérgico do cérebro. Em doses elevadas, os alucinógenos tendem a provocar hipertermia, náuseas e vômitos. Exemplos: LSD, Psilocibina (cogumelos mágicos).

Devido a variedade de efeitos que cada droga pode causar, é evidente de que a interação entre várias substâncias pode acarretar problemas graves. Especialmente quando se trata de drogas estimulantes e alucinógenas, o uso combinado com a cannabis pode oferecer um risco ainda maior.

É preciso estar consciente que caso da maconha, cada pessoa reage aos seus componentes de forma muito particular e isso é resultado de uma série de fatores:

A interação da maconha e outras drogas no sistema endocanabinoide

O nosso corpo possui um conjunto de receptores que formam o sistema endocanabinoide. A nossa reação as substâncias procedentes da cannabis dependem diretamente da forma em que o nosso sistema endocanabinoide atua. Então, não é possível generalizar seus efeitos e nem prever como o organismo vai receber as substâncias. Em alguns casos, a maconha pode causar teto preto ou bad trip, e alguns dos motivos que explicam esses desconfortos são os usos conjuntos entre maconha e outras drogas.

A diversidade da maconha

Quando se trata de cannabis, é fundamental compreender que estamos nos referindo a uma planta que pode ser classificada a partir das suas diferentes subespécies. Isso significa que nem toda planta é igual. O que chamamos de “potência” depende diretamente do nível de canabinoides e terpenos de cada planta, e esses componentes variam muito de uma planta para outra. Então, é muito difícil garantir a quantidade de psicoativos da planta e muito menos prever seus efeitos.

A maconha e outras drogas em um país proibicionista

Nessa mesma direção, esse é outro fator que interfere no consumo seguro de maconha no Brasil. Como o uso recreativo da planta não é regulamentado, é muito difícil identificar aspectos como quantidade de canabinoides, qualidade, procedência, e até a cepa que a planta pertence. Essas questões tornam o consumo da cannabis muito mais arriscado e imprevisível.

Doses 

Outro fator muito importante quando se fala no uso de substâncias são os perigos causados pelas doses. No caso da maconha, muita gente se pergunta se é possível ter uma overdose, mas não são registrados danos fatais em relação ao seu consumo exagerado. No entanto, o consumo exacerbado de outras drogas pode oferecer risco de morte e esse risco é ainda mais nítido quando o consumo é combinado com outras substâncias. 

Vale sempre lembrar que se atentar as doses, a origem das substâncias, conhecer seu organismo e EVITAR o uso conjunto entre diferentes drogas é essencial para prevenir qualquer tipo de risco e também é uma estratégia de redução de danos. A maconha pode provocar a vasodilatação devido a ativação dos seus receptores no organismo e apesar de não oferecer ameaças a vida pode acarretar sérios riscos quando usada em conjunto com outras substâncias. Então, fique atento na tabela abaixo: 

interação entre maconha e outras drogas

A maconha é porta de entrada para outras drogas? 

Além da interação com outras drogas, muita gente se pergunta se o consumo de maconha tem alguma associação com o uso de outras drogas. Será que ela pode estimular o uso de drogas mais perigosas? Vamos explicar!

cannabis e substâncias

A ideia de que a maconha é considerada a “porta de entrada” para outras drogas é muito difundida, mas não é verdadeira. Dados mostram que usuários de drogas como cocaína e crack já fizeram o uso de maconha, tabaco ou álcool, mas o inverso não é comum.

Os fatores que levam as pessoas a consumirem substâncias variadas dependem de diversas circunstâncias. Não há uma correlação direta entre o consumo de maconha e o uso de outras substâncias. Não é possível afirmar que uma pessoa que faz o uso recreativo de cannabis vai realmente experimentar outras drogas.

Segundo a teoria dos Cinco Grandes Fatores da Personalidade, uma das dimensões que compõe a nossa personalidade é chamada de “Abertura à Experiência” e diz sobre a disposição individual de cada um para encarar experiências novas. Dessa forma, podemos concluir que outros fatores são responsáveis pela decisão das pessoas em relação ao seu consumo, e não podemos afirmar que a maconha interfere nessa decisão.

Dentre as variadas razões que levam pessoas ao uso de drogas, a efetivação de políticas públicas, estratégias de redução de danos, conscientização, status de legalização e descriminalização, questões emocionais e fatores sociais e ambientais são variáveis que interferem ativamente com a incidência de usuários de drogas em diversos países, e atribuir a maconha a causa do uso de drogas pesadas é um equívoco.

Essa ideia é um argumento a favor de pessoas contra a legalização da cannabis. Mas esse tipo de mito abre espaço para uma série de preconceitos que ainda rodeiam a planta. Então, é preciso se informar antes de difundir certos conceitos. 

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