Haxixe Afegão: tradição e cultura cannábica no Afeganistão

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Saiba mais sobre como um dos maiores produtores de haxixe do mundo, o Afeganistão, produz uma resina de alta qualidade, adorada por todo o mundo

Quando exploramos mais sobre o universo da cannabis, vemos que ele é vasto e repleto de variedades, cada uma com sua história única e características distintas, porém muitas seguem o caminho da origem do produto, esse é o caso do haxixe afegão, um tradicional produto oriundo do Afeganistão. Entre as diversas formas de consumo, o haxixe afegão destaca-se como uma joia da tradição canábica, que ao longo dos anos vêm conquistando admiradores ao redor do mundo.

Neste artigo, exploraremos mais sobre o haxixe afegão, compreendendo sua origem, história e o processo intricado de sua produção.

O Que é o Haxixe Afegão

O haxixe afegão é uma forma de concentrado de cannabis que se destaca pela sua rica quantidade de canabinoides e qualidade excepcional. Produzido a partir dos tricomas das flores de cannabis, assim como outros tipos, o haxixe é uma substância altamente concentrada em THC, o componente psicoativo da planta.

No Afeganistão, esse tipo de haxixe ganhou renome mundial devido à sua produção manual, sem a utilização de solventes, conferindo-lhe características únicas, como sua cor que se tornou um símbolo em todo o mundo. Diferente do que muitos podem acreditar, é no Afeganistão que são produzidos alguns dos maiores volumes de haxixe do mundo.

Em 2010 a UNODC (United Nations Office on Drugs and Crime), a agência da ONU que acompanha as drogas, publicou um relatório sobre a produção de haxixe no Afeganistão e descobriu que é lá que existem os melhores rendimentos de haxixe por plantação. Enquanto no Marrocos, por exemplo, se extrai em torno de 40 quilos de haxixe por hectare de plantação, no Afeganistão a média é de 145 quilos por hectare, o que o torna um dos maiores produtores do mundo.

A História do Haxixe no Afeganistão

haxixe afegão produção
Fonte: DVIDS

A história do haxixe no Afeganistão está entrelaçada com a cultura e as tradições milenares desse país montanhoso. Enquanto a cannabis é cultivada há séculos na Ásia para diversos fins, incluindo alimentação, óleo e fibra, o cultivo para fins psicoativos encontrou seu espaço no Afeganistão e outros países da região. A região, que faz fronteira com a Índia e o Nepal, é considerada por muitos como o possível berço da cannabis, e sua conexão com o haxixe é profunda, entrelaçada com grupos religiosos e práticas sagradas que envolviam o uso de maconha.

Apesar de a cannabis ter sido tornada ilegal em 1957, o uso do haxixe nunca perdeu sua popularidade no Afeganistão. Ao contrário de muitos lugares, o consumo de haxixe é culturalmente aceito em todas as classes sociais, criando uma atmosfera única onde o julgamento e a marginalização não se associam ao seu uso.

Durante as décadas de 60 e 70, a fama do haxixe afegão atraiu hippies e viajantes aficionados pela cannabis ao país. Atualmente, de acordo com a UNODC, o Afeganistão é reconhecido como um dos maiores produtores de haxixe do mundo, uma posição consolidada ao longo dos anos. É estimado que o país produza cerca de 1.500 e 3.500 toneladas de haxixe por ano que são voltados para a exportação em sua grande maioria.

Como o Haxixe Afegão é Feito

haxixe afegão cultura
Cannabis farmers in Baharak, Badakshan. Fonte: Afghanistan Analysts Network

A produção do haxixe afegão é um processo que honra a tradição e a manualidade. Assim como o haxixe marroquino, o afegão é extraído sem a utilização de solventes, porém com o uso de malhas que servirão como peneiras para coletar apenas os tricomas, que são o que interessa na hora de se produzir o haxixe. A produção inicia-se com a colheita da cannabis que depois precisa passar por um processo de secagem e cura. Após esse processo, as flores e folhas são quebradas (podem ser dixavadas ou apenas quebradas com a mão mesmo) e peneiradas para produzir a “garda”, um pó rico em tricomas. A primeira camada de resina obtida é a de melhor qualidade.

A partir da “garda”, o haxixe afegão é moldado manualmente, muitas vezes prensado com as mãos, com a adição de uma pequena quantidade de chá ou água para ajustar a consistência. Este processo é laborioso, demandando tempo e habilidade, mas resulta em uma resina de qualidade excepcional. O haxixe final apresenta uma textura elástica e um aroma extremamente pronunciado.

Para concluirmos, o haxixe afegão representa não apenas uma forma de consumo de cannabis, mas uma tradição enraizada na história do Afeganistão. Seu processo manual, a qualidade das genéticas locais e a longa história cultural associada a esse produto fazem dele uma verdadeira obra-prima da cannabis.

Ao explorar o mundo do haxixe afegão, somos transportados para as montanhas e vales do Afeganistão, onde a cannabis cresce há séculos. A história tumultuada do país e sua resistência a várias influências externas se refletem na persistência da produção de haxixe, uma prática que resistiu ao tempo e às adversidades.

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