Diazepam: Entenda o que é, para que serve e como funciona

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O famoso “valium” é usado no combate a diversos sintomas há mais de 50 anos. Conheça este medicamento com propriedades ansiolíticas, relaxantes musculares e muito mais.

Reconhecido como uma alternativa segura quando se trata de medicamentos psiquiátricos, o Diazepam tem efeitos calmantes e se destina a pessoas que sofrem com ansiedade, insônia, espasmos musculares e convulsões. Nesse texto, confira mais detalhes sobre esse reconhecido fármaco.

O que é o Diazepam? 

O Diazepam é um medicamento pertencente à classe das benzodiazepinas, com propriedades ansiolíticas, sedativas, relaxantes musculares, anticonvulsivantes e amnésicas. Ele atua no sistema nervoso central, aumentando a atividade do neurotransmissor GABA (ácido gama-aminobutírico), que tem efeitos calmantes e tranquilizantes. Devido aos seus efeitos, esse medicamento é frequentemente usado no tratamento de ansiedade, transtornos do sono, espasmos musculares, convulsões e síndrome de abstinência alcoólica.

Quais são os sintomas tratados pelo Diazepam? 

O Diazepam é prescrito para aliviar sintomas de ansiedade, tensão e outras manifestações físicas ou psicológicas ligadas à síndrome da ansiedade. Ele também pode ser utilizado como um complemento no tratamento da ansiedade ou agitação associada a distúrbios psiquiátricos.

Medicamento Diazepam

Além disso, o Diazepam demonstra eficácia no alívio de espasmos musculares reflexos decorrentes de lesões locais, como traumas ou inflamações. Pode ser empregado no tratamento da espasticidade resultante de danos nos neurônios intermediários da medula espinhal e supra espinhais, como ocorre na paralisia cerebral, paraplegia, atetose e síndrome rígida.

Os benzodiazepínicos são reservados para situações de desordens graves, incapacitantes ou para dores extremas.

Quais as contraindicações do Diazepam?

O Diazepam não deve ser prescritos para pacientes que apresentem hipersensibilidade aos benzodiazepínicos ou a qualquer componente do medicamento, glaucoma de ângulo agudo, insuficiência respiratória grave, insuficiência hepática grave (uma vez que os benzodiazepínicos podem aumentar o risco de encefalopatia hepática), síndrome da apneia do sono ou miastenia gravis. Benzodiazepínicos não são recomendados como tratamento primário em transtornos psicóticos. Além disso, não devem ser utilizados como monoterapia para depressão ou ansiedade associada à depressão, devido ao risco aumentado de suicídio nesses pacientes.

Como usar o Diazepam?

O Diazepam pode ser administrado por via oral, geralmente na forma de comprimidos ou solução oral. O Diazepam deve ser utilizado exatamente na forma que foi prescrita pelo médico. Geralmente, as orientações de dosagem variam de acordo com a condição sendo tratada, a gravidade dos sintomas, o nível de sofrimento e a resposta individual do paciente ao medicamento.

Como se trata de um medicamento psiquiátrico, é importantissimo que o paciente não aumente ou diminua a dose por conta própria e não tome mais frequentemente do que o indicado. A automedicação deve ser evitada pois pode causar complicações sérias e efeitos colaterais intensos.

Duração do tratamento

A duração do tratamento com Diazepam também é variável. No geral, o Diazepam é prescrito para uso a curto prazo devido ao potencial de desenvolvimento de dependência e tolerância a longo prazo.

Para o tratamento da ansiedade aguda ou transtornos de curto prazo, o Diazepam pode ser utilizado por algumas semanas até que os sintomas estejam sob controle. Para casos de espasmos musculares agudos, o tratamento pode durar alguns dias ou semanas, dependendo da gravidade e da resposta ao medicamento.

Em casos de transtornos de ansiedade crônicos ou espasticidade muscular crônica, o Diazepam pode ser prescrito por um período mais longo, mas o uso prolongado deve ser cuidadosamente monitorado pelo médico devido aos riscos de dependência e outros efeitos adversos associados aos benzodiazepínicos.

De modo geral, é importante seguir as orientações do médico e realizar visitas de acompanhamento para avaliar a necessidade contínua do tratamento com Diazepam e para discutir quaisquer preocupações ou efeitos colaterais que possam surgir durante o uso do medicamento.

Descontinuação do tratamento

A interrupção do tratamento deve ser acompanhada pelo profissional de saúde que prescreveu o medicamento. Assim como com outros benzodiazepínicos, esse processo deve ser cuidadosamente planejado e supervisionado pelo médico para minimizar o risco de sintomas de abstinência e outros efeitos adversos. Geralmente, as doses vão sendo diminuídas de maneira gradual. Em vez de interromper abruptamente o medicamento, o médico costuma recomendar que a redução ocorra vagarosamente, com o objetivo de minimizar os sintomas de abstinência e a adaptar o corpo à diminuição da quantidade do medicamento.

Uso em crianças

Os benzodiazepínicos não devem ser prescritos para crianças sem uma avaliação cuidadosa da necessidade. O tratamento deve ser o mais breve possível. Em fase de desenvolvimento, o cérebro das crianças pode ser mais sensível aos efeitos dos benzodiazepínicos, o que pode afetar negativamente o desenvolvimento cognitivo e comportamental a longo prazo.

Embora em algumas situações específicas o uso de benzodiazepínicos em crianças possa ser justificado, como no tratamento de convulsões ou transtornos graves de ansiedade, é importante considerar os benefícios e riscos, bem como na consideração de outras opções de tratamento disponíveis.

Quais os efeitos colaterais?

Os sintomas mais comuns são:

  • Sonolência;
  • Tontura;
  • Fraqueza muscular;
  • Confusão ou dificuldade de concentração. 

Interação medicamentosa: posso tomar Diazepam com outras substâncias?

Por se tratar de um benzodiazepínico, algumas interações podem oferecer riscos. Medicamentos como álcool, narcóticos, barbitúricos e outros benzodiazepínicos podem aumentar os efeitos sedativos e respiratórios do diazepam, aumentando o risco de depressão respiratória e sedação excessiva. O uso conjunto de diazepam com outros anticonvulsivos pode potencializar os efeitos sedativos e anticonvulsivantes do diazepam, aumentando o risco de sedação excessiva e efeitos colaterais. 

Além disso, também merece atenção os medicamentos que inibem a metabolização hepática, os agentes como o cetoconazol, o fluconazol e alguns antibióticos macrolídeos podem inibir as enzimas hepáticas que metabolizam o diazepam, levando a um aumento nas concentrações plasmáticas do diazepam e um potencial aumento nos efeitos colaterais.

Interação medicamentosa

Por outro lado, medicamentos como a rifampicina, a carbamazepina e o fenobarbital podem aumentar a metabolização do diazepam no fígado, e reduzir sua eficácia terapêutica. É importante estar atento também aos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), pois o uso concomitante de diazepam com ISRS, como fluoxetina e sertralina, pode aumentar o risco de sedação excessiva, confusão e até síndrome da serotonina.

Por fim, é extremamente importante sempre informar seu médico sobre todos os medicamentos (incluindo medicamentos de venda livre, suplementos e ervas) que você está consumindo antes de iniciar o tratamento com diazepam, para evitar interações perigosas que podem acarretar riscos à sua saúde.

Uso durante a gravidez

A segurança do uso de Diazepam durante a gravidez em humanos não foi totalmente estabelecida. O Diazepam e seus metabólitos realmente podem atravessar a barreira placentária, o que gera preocupações. Há sugestões de um possível aumento do risco de malformações congênitas associadas aos benzodiazepínicos, especialmente durante o primeiro trimestre da gravidez. No entanto, uma revisão dos efeitos adversos relatados não demonstrou uma incidência maior do que a esperada em uma população semelhante não tratada.

Portanto, é recomendável evitar o uso de benzodiazepínicos durante a gravidez, a menos que não haja uma alternativa mais segura disponível. Antes de administrar Diazepam durante a gravidez, especialmente no primeiro trimestre, é crucial ponderar os possíveis riscos para o feto em relação ao benefício terapêutico esperado para a mãe.

O uso contínuo de benzodiazepínicos durante a gravidez pode resultar em efeitos adversos no recém-nascido, incluindo hipotensão, redução da função respiratória e hipotermia. Sintomas de abstinência neonatal também foram ocasionalmente observados com o uso desta classe de medicamentos.

Apesar dos alertas constantes sobre uso de substâncias durante a gestação, as necessidades devem ser discutidas com o médico, para que seu tratamento não seja interrompido e os sintomas não voltem a se instalar durante um período tão importante quanto a gradivez. O controle de sintomas é possível, apenas deve ser discutido com bastante atenção.

O Diazepam pode causar dependência?

Assim como outros remédios de ordem psiquiátrica, a preocupação generalizada sobre o risco de dependência também é comum com o diazepam. O Diazepam e outros benzodiazepínicos têm potencial para causar dependência e vício se usados de forma inadequada ou por um período prolongado. O risco de dependência aumenta com o uso a longo prazo e doses maiores do medicamento. O desenvolvimento de dependência pode levar à necessidade de doses cada vez maiores para obter o mesmo efeito (tolerância), além de sintomas de abstinência quando a medicação é interrompida abruptamente.

Para evitar os sintomas de abstinência, é importante usar o Diazepam da forma prescrita pelo médico e evitar usá-lo por longos períodos, a menos que seja absolutamente necessário.

A cannabis pode substituir o Diazepam?

De fato, os compostos da cannabis podem ter propriedades ansiolíticas e relaxantes que podem proporcionar alívio para sintomas de ansiedade, semelhantes aos efeitos do Diazepam. Essas propriedades terapêuticas possuem evidências científicas e estão em constante expansão. Estudos têm demonstrado que o CBD pode ter efeitos positivos no tratamento da ansiedade e de outros distúrbios relacionados ao estresse, pois influencia os sistemas de neurotransmissores no cérebro, por meio da ativação do sistema endocanabinoide, que promove a regulação do humor, da ansiedade e do estresse.

Diazepam e cannabis

Muitas pessoas relatam benefícios no uso de produtos à base de cannabis para gerenciar sintomas de ansiedade, semelhantes aos efeitos do Diazepam, mas sem os mesmos riscos de dependência e efeitos colaterais associados aos benzodiazepínicos.

No entanto, para evitar desconfortos, essa substituição deve ser feita com muita cautela. Se você usa Diazepam e não está satisfeito por algum motivo, um profissional da saúde pode fazer uma avaliação detalhada do seu caso em busca de alguma outra alternativa.

A Kaya Mind conta com uma equipe de profissionais da saúde especializada no tratamento com derivados da cannabis. Você pode marcar uma consulta com nossos profissionais, tirar suas dúvidas e obter uma avaliação detalhada sobre seu caso. Nós te auxiliamos em todo esse processo!

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