Cannabis e sexo: tudo que você precisa saber

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Com novas regulamentações e pesquisas, surgem produtos relacionados à cannabis e sexo voltados à saúde e ao bem-estar sexual; veja como funcionam e como utilizar

Um dos produtos mais populares à base de maconha, além dos comestíveis, do óleo medicinal e do próprio fruto para fumo, é o lubrificante sexual. Por mais que pareça um artigo contemporâneo inventado pela indústria em ascensão, a relação entre cannabis e sexo não é de agora. Ela é milenar, assim como a do cânhamo com a humanidade.

O uso erótico da maconha está ligado aos rituais de fertilidade, voltados para as práticas agrícolas. Na mitologia grega, acreditava-se que, para estimular o bom desenvolvimento das plantações, devia-se renovar, com frequência, o matrimônio das divindades Urano e Gaia (que representam, respectivamente, Céu e Terra), e, assim, eram realizados ritos sexuais nos campos rurais antes do início do cultivo. Na mitologia hindu, por exemplo, o uso da cannabis era essencial para obter uma conexão com a fertilidade e estimular o sistema nervoso central.

foto de buds com luz roxa

Hoje, no entanto, a planta não está mais tão interligada ao sexo por conta das leis proibicionistas implementadas ao longo dos anos. A sociedade afastou-se dessa tradição, bem como de tantas outras relacionadas à maconha – o uso do cânhamo como matéria-prima e o fumo da erva em cerimônias religiosas são exemplos disso.  

Felizmente, com as novas regulamentações e pesquisas que surgem, cannabis e sexo voltam a ter suas práticas interligadas. Ainda que muitas pessoas sejam adeptas da maconha em sua forma mais comum antes do sexo (o fumo), nessa área, o mercado canábico cresce em relação à uma variedade de produtos: lubrificantes, cremes, sprays, velas e mais.   

Os cremes íntimos, por exemplo, são feitos, na maioria das vezes, a partir do óleo da semente de cânhamo, que oferece intensa hidratação, equilíbrio hormonal, aumento da pressão sanguínea na região aplicada e muitos outros benefícios. Dos extratos provenientes do fruto da cannabis, são produzidas velas de massagem, lubrificantes voltados ao prazer, géis analgésicos e para auxiliar na excitação, sensibilizantes anais, prolongadores de ereção e produtos ginecológicos. 

Muitos desses artigos são usados para aumentar o prazer no momento da relação sexual, mas também para diversas outras questões importantes voltadas à saúde e ao bem-estar. Mulheres com traumas sexuais, por exemplo, podem ser auxiliadas por esses produtos, já que eles estimulam a lubrificação natural, proporcionam relaxamento da musculatura e anestesiamento na região íntima – a ponto de eliminar eventuais desconfortos e dores, mas não a sensação do gozo. Além disso, pessoas com condições médicas, como vaginismo e endometriose, podem ser beneficiadas. Para além do prazer, portanto, eles também têm funções preventivas.

Segundo a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, 48,5% das mulheres buscam, em algum momento da vida, ajuda médica por conta de disfunções sexuais. Além disso, no Brasil, 15% das mulheres em idade fértil têm algum grau de endometriose, sendo que 30% podem desenvolver infertilidade por conta da condição. “Isso é preocupante. Uma experiência sexual ruim, com dor, pode causar uma série de transtornos psicológicos, como o medo de transar, a ansiedade no ato sexual, a baixa autoestima e outras questões. A dor durante o sexo vai comprometer a qualidade de vida”, afirma Larissa Uchida, empresária do mercado canábico com a Open Green e o Micasa420, e fundadora da Kali, uma distribuidora de produtos eróticos.

Como escolher o produto certo? 

No Brasil, a regulamentação não abrange a universalidade dos artigos sexuais canábicos. Em 2020, a Anvisa autorizou a importação de um gel derivado de maconha para reduzir a dor durante o sexo, mas ainda há poucas opções disponíveis no mercado. Atualmente, todos os produtos e medicamentos derivados da planta devem ser receitados por um profissional da saúde e, assim, importados por meio da agência reguladora.

É importante, então, que os artigos que você vá utilizar tenham aprovação e registro da Anvisa, pois ela é responsável por fiscalizar se seus componentes e seu desenvolvimento não podem prejudicar a saúde íntima do indivíduo. 

De acordo com Larissa, é recomendável que o produto erótico seja à base de água. O óleo de coco, por exemplo, é muito utilizado na composição de lubrificantes, mas ele pode causar fungos e infecções, além de causar rompimento do preservativo no momento de atrito.

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