Cannabis e Transtorno do Espectro Autista (TEA): qual a relação?

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Lara Santos

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Diversos estudos mostram que a cannabis pode atenuar sintomas do TEA e, ainda, melhorar a qualidade de vida dos pacientes acometidos; entenda

A compreensão das propriedades da cannabis e de seu funcionamento no sistema endocanabinoide possibilitou estudar e utilizar a planta para tratar diversas condições médicas, entre elas, o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Seus fitocanabinoides podem oferecer benefícios medicinais importantes e cada um à sua maneira, além de poderem ser consumidos de diferentes formas a partir da regulamentação do mercado em diversos países. Neste texto, parte de uma série de publicações sobre a cannabis medicinal, você pode entender a relação entre a cannabis e o autismo, e o que as pesquisas dizem a respeito desse uso.

Como a cannabis pode tratar TEA?

Cientistas vêm investigando como a cannabis pode tratar o TEA e o que encontraram foram resultados promissores. Um estudo duplo-cego, realizado pelo Centro de Pesquisa de Cannabis Medicinal da UC-San Diego, na Califórnia, analisou a resposta de crianças com TEA que receberem canabidiol (CBD) ou placebo e muitos pacientes demonstraram uma melhora no quadro – confira esse relato de uma mãe que inscreveu seu filho para o ensaio clínico.

Segundo pesquisadores, acredita-se que pessoas acometidas com TEA têm um desequilíbrio no sistema de neurotransmissores que pode contribuir para os sintomas relacionados à sociabilidade, como a irritabilidade. O CBD, por outro lado, tem um papel importante nesse âmbito, pois interage com o sistema da serotonina, aumentando a disponibilidade desse hormônio e atenuando esses comportamentos.

Já outra análise, realizada pelo Centro de Autismo de Neguev, da Universidade Ben-Gurion do Neguev, em Berseba, Israel, mostrou que 30% dos pacientes com TEA estudados e tratados com óleo à base de cannabis, tanto com CBD quanto THC, relataram uma melhora significativa e 53,7%, uma melhora moderada. Apenas 15% não sentiram diferença no quadro com o tratamento. Os pontos de progresso analisados foram: melhora no humor, fazer atividades do dia a dia de forma independente e ajudaram no sono e concentração. Pode-se dizer, portanto, que a qualidade de vida desses pacientes aumentou.

Ainda, outros estudos apontam que os fitocanabinoides da cannabis são capazes de tratar condições correlacionadas com o TEA – uma delas, por exemplo, é a epilepsia, que atinge por volta de 30% das crianças diagnosticadas com TEA  e que, desde 1980, é alvo de diversas pesquisas que mostraram a eficácia da cannabis para o seu tratamento.

Riscos do consumo de produtos à base de cannabis para pessoas com TEA

Apesar de já existir um número considerável de estudos que buscam entender os efeitos de curto, médio e longo prazo do consumo de produtos à base de cannabis, a resposta ainda não é clara. Isso porque as doses desses produtos, mesmo que consumidos em larga escala, não são fatais, porém tomá-los regularmente pode ter efeitos de longo prazo. 

Epidiolex ou Sativex, um dos produtos com maior presença no mundo, já fez algumas pesquisas e ensaios clínicos e foi baseado neles que o FDA  (Food and Drug Administration) fez a advertência de que o consumo regular poderia causar enzimas hepáticas elevadas, o que pode ser um sinal de risco para alguns grupos. Importante ressaltar que essa advertência foi feita em especial para pessoas com epilepsia que faziam o uso conjunto do Epidiolex com um outro medicamento, mas ajuda no entendimento de que ainda existem muitos estudos a serem feitos.

O CBD não tem teores psicotrópicos e com baixíssimo a nenhum risco no consumo e, portanto, é uma alternativa segura para muitas pessoas que estão no Espectro Autista. Essa recomendação e indicação de uso, no entanto, precisam ser feitas por um profissional da saúde que tenha um entendimento dos outros medicamentos que são usados pelo paciente e do produto a ser indicado. Conheça aqui os médicos que prescrevem cannabis e como entrar em contato

O que é o TEA 

O TEA é um distúrbio do neurodesenvolvimento que afeta três principais âmbitos: interação social, comunicação e estereotipias, isto é, comportamentos repetitivos. Normalmente, os sintomas dessa condição médica, como os atrasos de desenvolvimento, são percebidos nos primeiros meses de vida da criança, mas o diagnóstico é feito a partir dos 2 anos de idade. Em sua maioria, o TEA acomete o sexo masculino e as evidências científicas apontram que é causado por uma junção de fatores genéticos e ambientais. 

Segundo uma publicação de 2020 do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), agência de Derpatamento de Saúde e Serviços Humanos nos Estados Unidos, por volta de 1 em 54 pessoas são acometidas com TEA e esse número vem crescendo – em 2004, por exemplo, 1 em cada 166 pessoas eram diagnosticadas com a doença. 

Em alguns casos de pacientes com TEA, utilizam-se medicamentos antipsicóticos, os quais podem causar efeitos colaterais graves, como desenvolvimento de diabetes e problemas cardiovasculares. Além disso, diversos tipos de terapia são comumente recomendados para o tratamento da doença, mas, até hoje, não existe uma cura concreta. 

Para realizar um tratamento à base de cannabis, é essencial procurar um profissional de saúde. No Brasil, além disso, deve-se buscar formas legais para importar os medicamentos, que você pode descobrir aqui. 

Este é o último texto da série de cannabis medicinal e condições médicas. Veja abaixo todos os textos publicados nas últimas semanas:

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