Cannabis e doença de Parkinson: qual a relação?

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A doença de Parkinson é a segunda mais comum quando se diz respeito às condições médicas neurodegenerativas. São, portanto, milhões de pessoas acometidas por seus sintomas e que também podem ser beneficiadas pelas substâncias da cannabis

A descoberta do sistema endocanabinoide e das propriedades medicinais da cannabis realizada pelo químico israelense Raphael Mechoulam fez com que estudos científicos começassem a surgir sobre esse tema. Hoje, inúmeras pesquisas propõem e até comprovam o potencial medicinal da planta em relação ao tratamento de diferentes condições médicas, como câncer, Parkinson, Alzheimer, depressão, glaucoma e mais. Por isso, a Kaya Mind resolveu publicar uma série sobre o uso medicinal da cannabis em relação a algumas doenças específicas. Neste texto, por exemplo, será explorada a doença de Parkinson. 

A síndrome de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum do mundo, segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), acometendo por volta de 6,3 milhões de pessoas. Ela é caracterizada por uma perda dos neurônios responsáveis pela produção de dopamina – neurotransmissor que atua no sistema nervoso central e funciona como mensageiro químico, levando informações de um neurônio para uma célula receptora. Assim, os pacientes com essa condição médica costumam vivenciar diminuição do controle motor, tremores, lentidão nos movimentos voluntários, rigidez dos músculos e articulações, perda de equilíbrio, além de ansiedade e transtornos do sono. 

A combinação entre cannabis e parkinson

A cannabis vem sendo considerada uma opção de tratamento para as pessoas acometidas com essa doença, pois estudos científicos apontam que a interação entre os princípios ativos da planta e o sistema endocanabinoide pode ter um impacto no quadro dos pacientes com a doença de Parkinson. 

cannabis e parkinson

Tanto o CBD como o THC se mostraram promissores em recuperar parcialmente os neurônios que são perdidos por conta da condição médica, impedindo ou retardando sua progressão. Dessa forma, os sintomas diretos e indiretos causados pela doença de Parkinson acabam por ser atenuados. Em algumas pesquisas com a cannabis, percebeu-se a diminuição dos tremores e da rigidez, além das consequências comuns da condição médica, sendo elas a ansiedade e os transtornos do sono. 

Os fitocanabinoides da cannabis também se mostraram benéficos em relação aos efeitos colaterais. Normalmente, as pessoas acometidas com a doença de Parkinson utilizam substâncias como levodopa e agonistas dopaminérgicos (que estimulam os receptores que produzem dopamina), as quais podem causar sintomas psicóticos. A psicose nessa condição médica é difícil de manejar, o que pode gerar ainda mais sofrimento ao paciente em questão. No caso do tratamento com canabidiol, por exemplo, notou-se uma diminuição dos sintomas psicóticos e nenhum efeito adverso grave.

Ainda que haja dificuldade no acesso à cannabis para uso medicinal no Brasil, sendo principalmente por meio da Anvisa, alguns pacientes com essa condição médica já utilizam de seus benefícios por meio de processos legais como as solicitações à Anvisa ou associações. Em junho de 2021, inclusive, um homem com doença de Parkinson teve autorização do Tribunal de Justiça de Santa Catarina para cultivar maconha e extrair óleo de CBD para tratar seus sintomas. 

Benefícios e riscos do uso da cannabis no tratamento da doença de parkison

Como as pesquisas referentes à cannabis e à doença de Parkinson ainda estão evoluindo, é difícil listar todas as consequências desse tratamento, mas os benefícios percebidos por pacientes incluem um alívio na ansiedade, maior controle da dor, ajuda nas possíveis disfunções do sono, possível perda de peso, melhora na mobilidade e auxílio no controle de náuseas. Já os efeitos adversos potenciais também variam muito de acordo com o organismo de cada um, sendo alguns deles: cognição prejudicada (deficiência na função executiva), tontura, diarreia, problemas de memória, visão turva, alterações de humor e comportamento, perda de equilíbrio e alucinações. O uso crônico de maconha pode aumentar o risco de transtornos de humor e câncer de pulmão.

Pesquisa com profissionais de saúde que tratam pacientes com Parkinson

Todas as informações abaixo foram retiradas e traduzidas do site da Parkinson’s Foundation (Fundação Parkinson), nos Estados Unidos. Acesse aqui para ler o texto completo. 

“A Fundação Parkinson, em parceria com pesquisadores da Northwestern University, estudou atitudes sobre cannabis em 40 Centros de Excelência. Até onde sabemos, este é o primeiro estudo a fornecer dados sobre as práticas, crenças e atitudes de médicos especialistas em DP em relação ao uso de cannabis.

Os resultados foram interessantes: a maioria dos especialistas disse que sabia o que a cannabis fazia, mas discordava dos detalhes. Embora não haja um acordo geral sobre quais podem ser os benefícios para as pessoas com DP, a pesquisa confirmou que a cannabis é um assunto popular nos centros da Fundação Parkinson, já que 95% dos neurologistas relataram que os pacientes pediram para prescrevê-la.

Os resultados do estudo de cannabis também incluíram:

  • Apenas 23% dos médicos tiveram alguma educação formal sobre cannabis (como um curso ou palestra), portanto, 93% dos médicos querem que a cannabis seja ensinada na faculdade de medicina.
  • Os médicos relataram que 80% de seus pacientes com DP usaram cannabis.
  • Apenas 10% dos médicos recomendaram o uso de cannabis para pacientes com DP.
  • Em termos de memória: 75% dos médicos sentiram que a cannabis teria efeitos negativos na memória de curto prazo e 55% acharam que a cannabis poderia ter efeitos negativos na memória de longo prazo
  • Apenas 11% dos médicos recomendaram o uso de cannabis no último ano”

Conclusão

Vale ressaltar que, como muitos estudos em torno da cannabis para uso medicinal, os que são referentes à doença de Parkinson ainda são preliminares e geram diversas divergências no meio científico. Por isso, para se beneficiar dos efeitos terapêuticos da planta, é essencial consultar um profissional da saúde para entender melhor sobre o assunto.

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