Tipos de agricultura e sua relação com o cultivo de cannabis

Tempo de leitura: 6 min

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Breve análise sobre os principais tipos de agricultura, sua situação no Brasil, a relevância de integrar novas técnicas sustentáveis e sua relação com o cultivo de cannabis.

Algumas informações sobre os principais tipos de agricultura, sua situação no Brasil, a relevância de integrar novas técnicas sustentáveis e sua relação com o cultivo de cannabis.

A agricultura

Com certeza, é possível afirmar que a agricultura mudou os rumos da humanidade no planeta terra. Desde que os seres humanos começaram a semear com a expectativa de colher algo, muitas águas se passaram. Hoje, as possibilidades de classificação da agricultura são inúmeras e podem ser elencadas de diversas maneiras. Mesmo que não haja uma forma ideal de categorização, podemos observar alguns dos principais tipos existentes, sua realidade no Brasil, sua caminhada em direções mais sustentáveis e possíveis relações com o cultivo e o mercado da cannabis.

história da agricultura

12 mil anos atrás

Início da agricultura, mesma época da origem da cannabis

(Fonte imagem: AGROPÓS)

Dentre as classificações mais comuns encontradas, podemos citar a contraposição entre a agricultura extensiva e a agricultura intensiva, que tem como base a forma como são utilizados os recursos disponíveis e em torno da qual orbitam diversos tipos de técnicas:

Tipos de Agricultura

Agricultura Intensiva: nesse tipo de agricultura, os produtores têm como foco o aumento contínuo do rendimento por área, muitas vezes levando ao cultivo de uma única cultura em grande escala, o que é conhecido como monocultura. Além disso, é comum o uso de fertilizantes químicos e pesticidas, o alto grau de mecanização da lavoura com mão de obra mais especializada e em menor quantidade, o estabelecimento de sistemas de irrigação e a alta densidade do plantio com foco no mercado externo.

tipos de agricultura

Por mais que esse tipo de agricultura possa resultar em altos rendimentos no curto prazo e uma maior disponibilidade de alimentos, ele também apresenta uma série de desafios, como o esgotamento dos solos e outros recursos naturais, a poluição ambiental e a redução da biodiversidade. Além disso, gera preocupações com os impactos na saúde humana pela insegurança alimentar decorrente do uso intensivo de agroquímicos.

Por conta disso, é cada vez mais comum que esses produtores busquem alternativas sustentáveis, absorvendo técnicas e conhecimentos de outras formas de cultivo, de forma a mitigar esses impactos negativos.

Agricultura Extensiva: em contraposição à agricultura intensiva, há a agricultura extensiva. Nesse caso, os agricultores aplicam técnicas mais rudimentares e tradicionais, com maior utilização de mão de obra não especializada e o baixo uso de mecanização e novas tecnologias. Ela pode ocorrer em diversos tamanhos de propriedade, porém é mais comum em unidades menores do que é visto na agricultura intensiva, normalmente realizada em grandes latifúndios.

O foco da produção está mais conectado ao mercado interno e a produção para subsistência, e os níveis de produtividade tendem a ser menores. Esse tipo é mais comum em países ou regiões com menor poder econômico, porque demanda menos investimentos iniciais, uma vez que o preparo do solo costuma ser feito de forma manual ou com auxílio de animais, e muitas vezes ocorre nas condições em que o terreno se apresenta, sem ajustes ou correções de acidez e nutrientes.

Além disso, é comum que as sementes não sejam selecionadas e que o agricultor guarde uma parte da produção anterior com foco no replantio. Mesmo que esse tipo de agricultura tenha dificuldades de competir com a anterior em termos de produtividade por área, ela continua sendo comum em grande parte do mundo e tende a gerar menos impactos negativos no meio ambiente por utilizar menos insumos e recursos externos.

Situação dos tipos de agricultura no Brasil

O Censo agropecuário de 2017, no Brasil, foi realizado pelo IBGE e constatou 351 milhões de hectares ocupados por estabelecimentos agropecuários, um aumento de 5% em relação ao censo anterior, de 2006. Desses, cerca de 70% têm área entre 1 e 50 hectares, com pouco mais de 1% tendo área superior a 1000 hectares, mas ocupando mais de 47% da área total, o que indica grande concentração fundiária e falta de estímulos para as pequenas e médias propriedades no país, sendo que mais de 15 milhões de pessoas estão ocupadas em todas essas atividades.

Grande parte dessas terras é utilizada por monoculturas com fins de exportação de commodities. Em termos de valor de produção, a principal safra é a soja, seguida do milho, da cana-de-açúcar e do café, nessa ordem. Porém, ao mesmo tempo, já existem muitas iniciativas que buscam fortalecer outras formas e tipos de plantio mais diversos e que gerem menos impactos negativos mantendo altos níveis de produtividade e utilizando novas tecnologias de forma eficiente.

Dentre elas, podemos citar a agricultura orgânica, a agricultura biodinâmica, a agricultura sintrópica e a agricultura regenerativa, dentre outras. De uma forma geral, todas elas buscam integrar saberes tradicionais e originários aos cultivos modernos ajudando a criar e divulgar maneiras de se plantar que se assemelhem ao que já é feito pela própria natureza em seus diversos ecossistemas, criando cultivos com maior biodiversidade e com o solo menos exposto ao clima.

A confluência entre as grandes propriedades, as tecnologias avançadas, e essas práticas começam a surtir efeitos e trazer alternativas para o modelo agrícola do país. Essa conjunção entre os pontos fortes dos diferentes tipos de agricultura é uma opção importante que pode proporcionar o fim da devastação dos ecossistemas com aumento da produção nas terras que já estão disponíveis, além de fortalecer a diversificação da base agrícola brasileira, tanto para o mercado interno quanto externo.

E o cultivo de cannabis?

É importante destacar que as leis e regulamentações variam de país para país em relação ao cultivo de cannabis, o que pode influenciar o tipo de agricultura que é permitido ou preferido em determinadas regiões. Nos locais em que a cannabis é cultivada em larga escala, ela já começa a demonstrar o seu potencial econômico: de acordo com relatório Cannabis Harvest – 2021” da empresa Leafly, o cânhamo foi a 5ª maior safra em valor de mercado dos EUA, somente atrás do milho, da soja, do feno e do trigo, passando a frente do algodão, do arroz e do amendoim, sendo que em cinco estados onde o uso adulto e recreacional é permitido ela chegou a alcançar o primeiro lugar.

tipos de agricultura cannabis

5º maior cultivo

em valor de mercado nos EUA

(Fonte imagem: AGROPÓS)

Além das leis, a finalidade do cultivo também indicará diferentes possibilidades e prioridades. O uso industrial da planta a partir do cultivo do cânhamo se adequa bem às grandes propriedades que utilizam maquinário para plantar, colher e beneficiar suas fibras e sementes, além disso, por ser uma planta de ciclo curto com alta produção de biomassa, ela tem a possibilidade de ser uma opção em certas entressafras, mantendo o solo coberto e ampliando os ganhos dos produtores.

Além desse cultivo intensivo em larga escala, o cânhamo também pode ser uma opção para o plantio e beneficiamento em comunidades locais em pequenas e médias propriedades e cooperativas, gerando grande quantidade de biomassa em pouco tempo, facilitando a cobertura do solo, além de gerar diversos insumos, como fibras, fios, cordas, estopas e óleos vegetais.

agricultura e cannabis

Em muitos lugares, especialmente onde a cannabis é legalizada para fins medicinais e/ou recreativos, os métodos mais sustentáveis e em menor escala têm se mostrado cada vez mais populares e efetivos devido às preocupações com a qualidade e a segurança relacionadas à ingestão direta do produto final. Muitas vezes esses cultivos ocorrem em área menores porque são realizados em ambientes fechados ou estufas possibilitando maior controle e cuidado individual com as plantas, mas também ocorrem em áreas abertas com bom espaçamento entre o plantio das mudas, permitindo os manejos individuais.

Outra possibilidade que está em consonância com o cultivo da planta é o mercado mundial de créditos de carbono, que poderia ser fortemente impulsionado pela cannabis e sua elevada capacidade de captação em um breve período, e que pode começar a ser debatido com maior seriedade pelo poder legislativo do país ainda em 2023.

De qualquer maneira, nota-se que a cannabis é uma planta versátil capaz de se adequar em diversas situações trazendo vantagens e possibilidades para cultivos intensivos ou extensivos em conjugação com diversas técnicas de plantio como já se vê ocorrendo em muitas regiões do globo.

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2 Comentários
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lucas
8 meses atrás

:] vai planta!

Marcela Romagnoli
Editor
2 meses atrás
Reply to  lucas

<3

exercício físico e bem-estar
Maria Riscala

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