Cannabis e esportes: qual a relação?

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Lara Santos

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Atletas, ligas esportistas e até agências antidopings passaram a reconhecer os benefícios medicinais e terapêuticos da maconha, o que fortaleceu a relação entre cannabis e esportes; entenda

Nos últimos anos, a relação entre cannabis e esportes vem se transformando. Desde 2018, o canabidiol, um dos canabinoides da maconha conhecido por seus efeitos medicinais, deixou de ser parte da lista de substâncias proibidas da Agência Mundial Antidoping (WADA, na sigla em inglês). Além disso, ligas internacionais como a NBA, MLB e UFC também afrouxaram suas regras a respeito do uso da planta. Mas a maior mudança veio em 2021: pela primeira vez, ocorrerá uma Olimpíada em que as punições para drogas chamadas de “sociais” (cannabis, cocaína, heroína e ecstasy) foram suavizadas e o CBD não é mais considerado doping. 

O uso do THC, no entanto, ainda é proibido dentro do período de competições. Vinte dias da disputa de Tóquio 2020, a competidora norte-americana de atletismo, Sha’Carri Richardson, foi suspensa por um mês pela Agência Antidoping dos Estados Unidos (USADA, na sigla em inglês) por ter testado positivo para o princípio ativo psicotrópico, o que causou grande debate

cannabis e esportes
cannabis e esportes

Ainda que seja urgente a discussão acerca do THC, pois ele também tem benefícios medicinais importantes e não melhora a performance do atleta, não se pode ignorar a conquista de ter obtido a permissão do consumo de CBD no esporte. Afinal, essa pauta é discutida há muito tempo por ativistas da causa e atletas que fazem o seu uso. Mike Tyson, um dos maiores lutadores de boxe de todos os tempos, já admitiu ter usado maconha inúmeras vezes durante suas disputas e, após o fim de sua carreira, saiu da falência ao criar uma empresa que vende produtos da planta. O skatista Bob Burnquist, com o qual a Kaya Mind já teve oportunidade de conversar em uma entrevista e um podcast, se posiciona frequentemente sobre os benefícios da cannabis e também abriu uma companhia voltada para o setor, a Farmaleaf. E esses são apenas dois dos muitos esportistas engajados na causa – no relatório Cannabis na Imprensa, você pode entender melhor sobre isso. 

No MMA, por exemplo, 45,9% dos 170 atletas entrevistados para um estudo do The Athletic, admitiram usar maconha tanto para fins sociais quanto para medicinais, o que reforça a necessidade de um debate mais amplo sobre o uso, que não envolva apenas o CBD. O UFC, inclusive, realizou uma parceria de pesquisa com a Aurora Cannabis Inc., uma das maiores empresas de maconha do mundo, sobre o CBD e para incorporar produtos de sua marca esportiva. 

O canabidiol não é uma substância psicotrópica, ou seja, não “chapa”, por isso, é bem aceita entre as instituições antidoping e as grandes ligas internacionais. O seu consumo entre atletas é particularmente voltado à lesões e alívio de dores musculares, tornando-se uma alternativa aos analgésicos e anti-inflamatórios. As questões psicológicas, como a ansiedade ou outras condições psiquiátricas, também são motivo de uso. Pode-se dizer, portanto, que a cannabis pode ajudar na performance do atleta e até mesmo na recuperação pós-esportiva. 

No Brasil, a maconha para fins medicinais é autorizada, mas mediante receita médica e a maioria dos produtos disponíveis são importados – o cultivo da planta no país ainda é ilegal. Mas o tratamento com a  cannabis é possível e, a partir de algumas instituições, também vem chegando ao conhecimento de atletas. A Atleta Cannabis é uma das responsáveis, considerada a maior comunidade de cannabis e esportes do Brasil, e oferece conteúdo exclusivo, bem como consultas médicas para iniciar o uso da substância. 

O fato é que a planta não só é cada vez mais popular entre a sociedade, como também é entre os atletas. Hoje, essa é a segunda substância mais utilizada entre esse grupo, ficando atrás apenas do álcool.

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