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Como a invasão russa na Ucrânia afetou uma das maiores empresas de cannabis do mundo

Foto de Redação Kaya

Redação Kaya

Tempo de leitura: 4 min

Publicado em

  • março 11, 2022
Após o ataque da Rússia, a Curaleaf, maior empresa de cannabis dos EUA e uma das maiores do mundo, teve suas ações impactadas negativamente por conta da disseminação de informações falsas sobre sua origem e seus vínculos
queda nas ações de cannabis

Depois da Rússia invadir a Ucrânia, no dia 24 de fevereiro, uma das maiores empresas de cannabis do mundo, a Curaleaf, teve uma queda abrupta em suas ações. A explicação? Usuários do Twitter e do Reddit começaram a disseminar informações falsas, dizendo que a companhia era de origem russa e que, por isso, poderia sofrer sanções dos Estados Unidos. 

Até então, o ataque russo já matou milhares de civis e soldados, causou deslocamento forçado de mais de 2 milhões de pessoas e desestabilizou a economia mundial. Para penalizar a Rússia pelos seus atos contrários aos direitos humanos, diversos países e empresas internacionais passaram a adotar sanções políticas e econômicas, como a suspensão de importação do petróleo proveniente da Rússia por parte dos EUA e a proibição de voos russos em espaços aéreos da União Europeia. Esse cenário movimentou significativamente o mercado de ações e a bolsa de valores, impactando negativamente diferentes indivíduos e empresas, além da economia de nações ao redor do mundo.

Impacto do conflito no mercado da cannabis

Por seu alto risco e grande volatilidade, as ações da indústria da cannabis são frequentemente afetadas por diversos motivos, mas a Curaleaf, em específico, teve seus preços afetados drasticamente após a invasão russa na Ucrânia – segundo uma reportagem da Forbes, sofreram uma queda de mais de 20%. 

A Curaleaf é uma empresa do mercado da cannabis com origem estadunidense, sediada em Wakefield, no estado de Massachusetts, e que tem um valor de mercado de cerca de U$ 7 bilhões, sendo assim considerada a maior do setor nos Estados Unidos e uma das maiores do mundo. Com presença em mais de 20 estados do país e no continente europeu, ela atua na produção e venda de cosméticos e produtos terapêuticos à base de cânhamo, óleos e outros derivados da cannabis para fins medicinais, e na criação de novas experiências para os usuários da planta. 

Seu fundador, Boris Jordan, nasceu nos Estados Unidos e o seu segundo maior investidor, Andrey Blokh, tem cidadania dupla (estadunidense e russa). Pelo fato de Jordan ter descendentes da Rússia e Ucrânia e Blokh ter essa ligação com o país governado por Vladimir Putin, usuários das redes sociais alegaram que a Curaleaf era associada à oligarcas russos e, portanto, seria vítima de sanções por parte dos Estados Unidos por conta do conflito. Essas especulações, no entanto, eram falsas, mas chegaram a prejudicar a performance das ações da empresa. 

Após a repercussão do caso na mídia, com Jordan concedendo entrevistas a portais como Forbes e Benzinga, e a divulgação de um esclarecimento formal no site da Curaleaf, a empresa já parece ter ultrapassado seu período mais crítico e vem se recuperando aos poucos. 

Ainda assim, em um contexto à parte do ataque russo, já era possível testemunhar uma queda no mercado da cannabis, o que refletiu na performance dos fundos de investimento brasileiros voltados para a indústria da planta. No Kaya Board, painel de dados sobre a cannabis da Kaya Mind, você pode encontrar as informações detalhadas sobre esse contexto. Abaixo, confira um recorte atual de uma das telas da ferramenta e como há uma desvalorização constante dos valores da carteira e quota de fundos brasileiros. 

De qualquer forma, é muito importante que, em momentos delicados e difíceis como esse vivenciado no continente europeu, as pessoas se atentem às fake news. Em situações de vulnerabilidade, isso acontece com frequência e vai muito além do caso da Curaleaf, podendo prejudicar vidas pessoais, negócios e até mesmo sociedades por inteiro. Por isso, sempre verifique a fonte e a veracidade das informações antes de passá-las para frente. 

Situação regulatória da cannabis na Rússia e Ucrânia

  • A Rússia já foi a maior exportadora de cânhamo do mundo e era produtora dessa matéria-prima desde os tempos pré-cristãos. Depois da proibição, em fevereiro de 2020, voltou a cultivar a planta, com até 0,1% de THC;
  • Durante a Copa do Mundo de 2018, a Rússia autorizou o uso medicinal de cannabis e outras substâncias psicotrópicas para torcedores que iriam comparecer ao evento. No entanto, o consumo terapêutico da cannabis é apenas permitido em raras exceções, o que torna o acesso para pacientes muito difícil.
  • O cultivo e uso de cânhamo industrial na Ucrânia é permitido, mas deve conter apenas 0,08% de THC. 
  • A Ucrânia tem uso medicinal proibido, mas um projeto de lei visando sua legalização foi apresentado pelo Gabinete de Ministros ao parlamento ucraniano em janeiro de 2022, e, aprovado, poderia ampliar o acesso desses produtos para diversos pacientes. Hoje, apenas algumas substâncias derivadas da cannabis são permitidas, como a nabilona e o dronabinol.
  • Em ambos os países, o uso adulto é proibido. 
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