Kombucha, kefir e switchel: quais as diferenças? 

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Lara Santos

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Você já deve ter ouvido falar em alguma dessas bebidas funcionais e saudáveis, mas, por fazerem parte de um mercado relativamente novo, ainda surgem muitas dúvidas a respeito de suas diferenças e seus benefícios; entenda

Como substituto dos refrigerantes e outras bebidas industrializadas, as pessoas têm buscado opções mais saudáveis e funcionais para inserir no dia a dia e matar a vontade de um refresco. Por isso, nos últimos tempos, você deve ter ouvido falar com frequência em kombucha, kefir e switchel, mas, com esses nomes difíceis, é natural que fique complicado distinguir um do outro e até de entender o que são cada um deles.  

O que é kombucha? 

A kombucha era feita tradicionalmente na China e no Japão por meio da fermentação de kelp, uma alga marinha comestível, com chá – “konbu” significa kelp e “ocha” corresponde à chá. Hoje, no entanto, o mercado incorporou essa bebida e ela não é mais feita exclusivamente com kelp, mas principalmente com chá e outros ingredientes como frutas e ervas.   

Vale dizer que o chá não é definido por qualquer infusão, mas apenas àquelas que são feitas com a planta Camellia Sinensis. Ao passar por processos específicos, é possível produzir os chás verde, preto, branco, amarelo, puer e oolong, sendo cada um com suas especificidades e sabores, além de propriedades medicinais.  

A maioria das kombuchas encontradas no mercado brasileiro tem como base os chás verde e preto, que são mais fáceis e comuns de serem encontrados. Depois da mistura de algum desses chás com frutas vermelhas, maracujá, gengibre, melissa ou outro ingrediente, ou até mesmo sem nenhum, a bebida passa por um processo de fermentação a partir de uma cultura de leveduras e mais de 40 bactérias chamada SCOBY. 

Por ser uma bebida fermentada, ela é predominantemente ácida e tem sabores e cheiros fortes, que, para muitas pessoas que não estão acostumadas, podem ser desagradáveis. Mas a kombucha tem muitos benefícios para a saúde, o que faz ela ser bastante procurada e consumida – vamos falar dessas vantagens mais pra frente. 

O que é kefir? 

O kefir se assemelha ao kombucha por também ser uma bebida fermentada e de trajetória longínqua:  há milhares de anos, em montanhas na fronteira entre a Europa e a Ásia, os nômades encontraram crostas na parede dos recipientes em que transportavam leite. A palavra kefir vem do termo eslavo “keif”, que significa bem-estar ou bem viver.  

Existem dois tipos de kefir: à base de leite, que é a versão original e mais popular, e de água com açúcar mascavo. Ambos são produzidos a partir da submersão temporária de grãos que são uma colônia de microorganismos, normalmente lactobacilos e bifidobactérias (uns dos maiores grupos de bactéria que compõe a microbiota intestinal e, portanto, residem no cólon). Assim como outros fermentados, oferecem uma série de benefícios terapêuticos. 

O que é switchel? 

Diferente da kombucha e do kefir, o switchel não é uma bebida fermentada – ela é feita com água, gengibre, vinagre de maçã e algo para adoçar (mel, melaço, maple syrup etc.). Assim como os outros refrescos, ela também é milenar, mas não se sabe suas raízes ao certo – alguns atribuem sua origem à China, outros à partes da África e Caribe onde era usado para fins religiosos e alguns ao período colonial nos Estados Unidos, em que trabalhadores do campo faziam e bebiam switchel para repor as energias.  

O switchel não é um suco, um chá e nem uma bebida alcoólica: é um isotônico, ou seja, uma bebida constituída por água, sais minerais e carboidratos, e, portanto, ideal para atletas. Apesar de ter quatro principais, também é possível acrescentar sabores ao switchel. No Brasil, por exemplo, há opções com cupuaçu e cumaru, matcha, maracujá e cúrcuma, maçã e pimenta.  

Benefícios do kombucha, kefir e switchel 

Alimentos e bebidas fermentadas oferecem uma série de benefícios. O chá, também. Confira as possíveis vantagens da kombucha: 

  • Melhorar a digestão, por conter probióticos; 
  • Melhorar o nível de colesterol e reduzir gordura; 
  • Tem ação antioxidante; 
  • Prevenir o crescimento e disseminação de células cancerígenas;  
  • Aumentar a imunidade, por oferecer uma série de vitaminas, aminoácidos, proteínas e minerais; 
  • Promove saciedade; e mais. 

Vale dizer, no entanto, que os benefícios da kombucha não são um consenso. Tudo depende do organismo da pessoa que vai consumir, mas é bom lembrar que nada em excesso faz bem e nenhum alimento ou bebida é milagrosa. 

O kefir tem vantagens semelhantes ao kombucha, ao mesmo tempo que seus benefícios também não são uma verdade absoluta, apesar de existirem estudos científicos. Mas veja algumas das propriedades terapêuticas: 

  • Equilibra a flora intestinal;  
  • Auxilia a prevenção da osteoporose; 
  • Fortalece o sistema imunológico; 
  • Diminui a pressão arterial; e mais. 

No caso do switchel, que é um isotônico, as funções são bem diferentes, mas também não são 100% comprovadas: 

  • É altamente hidratante;  
  • Revigorante;  
  • Melhora náuseas;  
  • Reduz inflamações por conta do gengibre; 
  • Diminui dores musculares;  
  • Alivia a ressaca; e mais. 

Tanto o kefir e o kombucha, por serem fermentados, tem um nível alcoólico, mas tão baixo que não causa embriaguez e outros sintomas. Já existem, no entanto, kombuchas que são propositalmente alcoólicas e, aí sim, podem ser consideradas bebidas sociais. 

Mercado das bebidas funcionais e saudáveis 

Esses três mercados têm crescido mundialmente e até se consolidaram em alguns países. No Brasil, ainda há muito espaço para desenvolvimento, mas algumas marcas já vêm se estabelecendo com autoridade.  

Kombucha de Cânhamo
Kombucha de Cânhamo

De acordo com a Associação Brasileira de Kombucha (ABKOM), a produção da kombucha aumentou 50% entre 2018 e 2019, sendo que em 2019 foram produzidos 900 mil litros da bebida. Até hoje, a instituição estima que tenham sido produzidos 1,6 milhões de litros e que a indústria tenha tido um faturamento R$ 18,9 milhões. A tendência é desse mercado crescer cada vez mais.  

O kefir já virou um produto industrializado em mercados internacionais, mas, no Brasil, ainda faz parte de uma produção majoritariamente caseira, apesar de existirem algumas opções à venda. Na Europa, por exemplo, nas prateleiras dos mercados existem refrescos feitos à base de kefir e água nos quais são adicionadas frutas, como acontece na kombucha, e iogurtes que nada mais são do que o kefir à base de leite.  

Já o switchel, no Brasil, é unicamente liderado pela marca Kiro, que começou a ser concebida em 2014, mas passou a comercializar seus produtos apenas em 2017. Em 2019, já tinha atingido a produção de 15 mil garrafas por mês que eram distribuídas em 90 pontos da cidade de São Paulo, incluindo restaurantes renomados como o Maní, até que os pedidos começaram a se espalhar para fora de São Paulo, chegando ao litoral e ao Rio de Janeiro.  

Assim como tantos outros, o mercado dessas bebidas é uma oportunidade para o setor da cannabis, já que a elas podem ser acrescentadas uma diversidade de ingredientes, incluindo a infusão de CBD e até cânhamo, como já acontece em países com regulamentação. Assim, as propriedades terapêuticas da cannabis também poderiam ser aproveitadas em conjunto com os outros benefícios desses refrescos.  

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