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Imposto sobre cannabis nos EUA pode arrecadar US$ 111,3 bilhões, mas potência do THC é o principal obstáculo

Foto de Maria Riscala

Maria Riscala

Tempo de leitura: 12 min

Publicado em

  • agosto 25, 2026

Um imposto sobre cannabis nos EUA baseado na quantidade de THC dos produtos poderia gerar até US$ 111,3 bilhões em dez anos, segundo uma nova análise do Budget Lab da Universidade Yale. Mas existe um problema: para cobrar pelo THC, o governo precisaria confiar nas medições de potência. E estudos mostram que os números dos rótulos ainda podem variar bastante.

  • O Budget Lab de Yale estima que a legalização federal da cannabis, acompanhada de um imposto de US$ 0,00625 por miligrama de THC, poderia gerar US$ 57,9 bilhões em dez anos.
  • Se todos os estados também legalizassem a cannabis, a arrecadação projetada subiria para US$ 111,3 bilhões.
  • O modelo não é uma lei ou proposta aprovada. Trata-se de uma simulação econômica sobre um possível cenário de legalização.
  • A principal dificuldade é medir a potência de THC com precisão. Em uma auditoria com 277 produtos do Colorado, somente 56,7% das flores ficaram dentro da margem de tolerância de 15% entre o rótulo e o teste independente.
  • A discussão acontece ao mesmo tempo em que os EUA reformulam suas regras sobre cannabis e hemp, mudanças que também podem atingir produtos exportados para pacientes brasileiros.

A estimativa foi publicada em 17 de agosto de 2026 pelo Budget Lab da Universidade Yale e acrescenta uma nova peça a um quebra-cabeça regulatório que está ficando cada vez mais complexo nos Estados Unidos.

Não se trata apenas de decidir se a cannabis deve ou não ser legalizada em nível federal. A pergunta seguinte é: como tributar um mercado desse tamanho sem criar distorções?

Yale estudou uma alternativa parecida com o modelo usado para bebidas alcoólicas e tabaco. Em vez de cobrar apenas uma porcentagem sobre o preço do produto, o governo tributaria a quantidade da substância considerada mais relevante para seus efeitos: o THC.

Na teoria, parece simples. Na prática, faz com que uma informação que já aparece nos rótulos passe a valer dinheiro para consumidores, empresas e governo.

E é aí que começa o problema.

Quanto um imposto sobre cannabis nos EUA poderia arrecadar?

O imposto sobre cannabis nos EUA analisado por Yale poderia gerar entre US$ 57,9 bilhões e US$ 111,3 bilhões em dez anos, dependendo do grau de legalização adotado no país. A conta parte de uma cobrança federal de US$ 0,00625 por miligrama de THC e considera sua implementação a partir de 2027.

O Budget Lab simulou dois cenários:

Cenário analisadoProjeção em 10 anos
Legalização federal, mantendo as regras atuais de cada estadoUS$ 57,9 bilhões
Legalização federal + legalização nos estados que ainda proíbem o mercadoUS$ 111,3 bilhões

É importante reforçar: esses valores não representam receita já prevista no orçamento americano nem um imposto aprovado pelo Congresso.

O estudo pergunta o que poderia acontecer caso os Estados Unidos avançassem para uma legalização federal dos usos medicinal e adulto e criassem, ao mesmo tempo, um imposto federal baseado em potência.

No modelo, cada grama de flor teria aproximadamente US$ 1,31 de imposto federal. Considerando um preço médio de US$ 8,59 por grama adotado pelos pesquisadores, isso representaria algo próximo de 15% de aumento no preço final.

O tamanho potencial da arrecadação também ajuda a mostrar o peso econômico da cannabis nos Estados Unidos.

O próprio Budget Lab calcula que o mercado recreativo legal movimentou aproximadamente US$ 25 bilhões em 2024. Sem novas legalizações estaduais ou uma mudança federal ampla, a projeção é que ele chegue perto de US$ 40 bilhões em 2035. O segmento medicinal responderia por cerca de 20% da atividade, movimentando entre US$ 5 bilhões e US$ 8 bilhões por ano no período analisado.

A questão, portanto, deixou de ser apenas política ou social. Ela também entrou de vez na discussão tributária americana.

Como funcionaria um imposto sobre cannabis baseado no THC?

Um imposto por potência cobraria um valor conforme a quantidade de THC presente no produto, e não simplesmente sobre o preço pago pelo consumidor. Quanto mais THC, maior seria o imposto.

Esse tipo de modelo não nasceu do nada.

Nos Estados Unidos, alguns impostos sobre álcool e tabaco já levam em consideração quantidade, peso ou concentração da substância. Yale argumenta que o mesmo princípio poderia ser aplicado à cannabis.

A vantagem é que a arrecadação ficaria menos dependente do sobe e desce dos preços.

Imagine dois produtos contendo exatamente a mesma quantidade de THC, mas vendidos por US$ 20 e US$ 30. Em um imposto baseado no preço, o produto mais caro paga mais. No modelo por potência, a cobrança poderia ser semelhante nos dois casos porque o fator central seria a quantidade de THC.

Segundo o Budget Lab, isso faria a arrecadação acompanhar melhor o consumo real da substância psicoativa, em vez de acompanhar apenas quanto dinheiro o consumidor gastou.

Só que existe uma condição básica para esse sistema funcionar:

o número de THC usado no cálculo precisa estar certo.

E os dados disponíveis mostram que isso ainda não acontece de forma consistente.

Por que a potência do THC é o principal problema desse modelo?

A potência do THC é um problema porque diferentes testes podem apresentar resultados diferentes para um mesmo produto, enquanto algumas embalagens informam concentrações superiores às encontradas em análises independentes.

Em outras palavras, transformar miligramas de THC em base tributária exige transformar o teste laboratorial em algo comparável a uma balança fiscal.

Um dos maiores estudos sobre esse tema foi publicado em 2025 na revista Scientific Reports.

Pesquisadores da Universidade do Colorado Boulder e da MedPharm Research compraram produtos em 52 dispensários de 19 condados do Colorado. Depois das exclusões previstas pelo protocolo, 277 produtos entraram na análise final, sendo 178 flores e 99 concentrados.

O resultado chama atenção.

Entre as flores, a maior potência indicada em um rótulo chegou a 39% de THC. Nos testes realizados pelos pesquisadores, o maior resultado observado foi 33%.

Mais importante do que um caso isolado foi a diferença entre categorias.

Os pesquisadores consideraram um produto corretamente rotulado quando o resultado independente estava dentro de uma faixa de 15% para mais ou para menos em relação ao valor declarado.

Entre os concentrados, 96% ficaram nessa margem.

Entre as flores, apenas 56,7% passaram pelo mesmo critério. Das 178 flores analisadas, 54 estavam rotuladas acima do valor encontrado e 23 abaixo.

O estudo completo publicado na Scientific Reports destaca justamente a necessidade de verificação independente e cega dos rótulos e dos procedimentos de testagem.

Se a diferença já é relevante para um consumidor escolhendo um produto, ela passa a ter outra dimensão quando o resultado também determina quanto uma empresa precisa pagar de imposto.

Os próprios laboratórios conseguem chegar ao mesmo resultado?

Nem sempre. Um experimento realizado pela fabricante americana Ripple mostrou diferenças de até 38% entre testes feitos a partir de materiais equivalentes.

Entre novembro e dezembro de 2024, a empresa enviou seis amostras cegas de flores, concentrados e gummies para seis dos sete laboratórios comerciais de cannabis do Colorado.

Uma das flores apresentou resultados entre 15,8% e 22,8% de THC, dependendo do laboratório.

Mais curioso ainda foi o que aconteceu quando uma amostra voltou ao mesmo laboratório em momentos diferentes: os testes ficaram entre 17,9% e 22,8%.

Justin Singer, CEO da Ripple, resumiu a preocupação ao comentar os resultados ao MJBizDaily:

“Os mesmos laboratórios, aplicando os mesmos métodos às mesmas amostras ao longo do tempo, também não conseguem replicar os resultados.” Tradução livre.

Isso não significa que todo laboratório infla resultados ou que toda embalagem esteja errada.

Flores são materiais biologicamente menos homogêneos do que concentrados, por exemplo. A região da planta usada como amostra, o armazenamento e os procedimentos de coleta também podem influenciar o teste.

Mas os números mostram que padronização e fiscalização seriam peças obrigatórias para qualquer imposto baseado em potência funcionar de forma confiável.

Por que existe um incentivo econômico para informar mais THC?

Existe um motivo comercial simples: produtos com maior concentração declarada de THC costumam valer mais no mercado.

Um estudo publicado em 2025 no International Journal of Drug Policy ajuda a colocar um número nessa relação.

Os pesquisadores analisaram nada menos do que 710.588 produtos de flor, comercializados em 3.693 dispensários de 30 estados e Washington D.C.

A chamada elasticidade do preço em relação ao THC foi estimada em 0,17.

Traduzindo para um português mais simples: um aumento de 10% no teor de THC estava associado, em média, a um aumento de aproximadamente 1,7% no preço.

Na prática, compradores de um grama de flor rotulada com 20% de THC pagavam aproximadamente 8,5% menos do que compradores de um produto rotulado com 30%.

Isso cria um incentivo econômico importante.

Se o mercado valoriza números maiores de THC, produtores têm interesse em alcançar potências maiores. Ao mesmo tempo, laboratórios capazes de entregar resultados mais altos podem se tornar comercialmente mais atraentes.

Esse fenômeno é conhecido no setor como lab shopping, quando empresas procuram laboratórios que tendem a apresentar resultados mais favoráveis.

Um imposto por miligrama de THC poderia, em tese, mudar parte desse incentivo.

Hoje, declarar mais THC pode ajudar a aumentar o preço de venda.

Com uma tributação baseada em potência, cada miligrama adicional declarado também significaria mais imposto a pagar.

É uma inversão interessante: um número maior deixa de representar apenas vantagem comercial e passa também a gerar uma obrigação tributária.

O Colorado já tentou adotar um imposto baseado na potência da cannabis?

Sim. Em abril de 2026, o Colorado discutiu o SB26-161, chamado Cannabis Consumer Protection Act, que propunha mudanças profundas tanto na tributação quanto nos testes de produtos de cannabis.

O projeto pretendia substituir a atual cobrança estadual de 15% sobre as vendas de cannabis recreativa por uma estrutura baseada no conteúdo de canabinoides intoxicantes. Também propunha reduzir outro imposto sobre a primeira transferência de cannabis não processada para US$ 1 por libra.

A proposta também ampliava as exigências relacionadas a testes, rotulagem e informações como quantidade total de THC por embalagem e por dose.

Ou seja, o Colorado chegou muito perto de testar na prática parte da lógica que agora aparece na análise de Yale.

Mas a proposta não avançou.

Em 28 de abril, a Comissão de Finanças do Senado estadual aprovou por 8 votos a 0 o adiamento por tempo indeterminado do projeto.

O episódio mostra que criar um imposto baseado em potência não é apenas um problema matemático.

É preciso decidir quem testa, quando testa, qual margem de erro é aceitável, como fiscalizar laboratórios e quanto de imposto cada categoria de produto consegue absorver sem estimular ainda mais o mercado informal.

Como o mercado ilegal interfere na projeção dos US$ 111,3 bilhões?

A informalidade é uma das maiores incertezas da conta de Yale.

O Budget Lab cita estimativas segundo as quais o mercado americano de cannabis, somando atividades legais e ilegais, gira em torno de US$ 100 bilhões. Aproximadamente 75% dessa atividade ainda estaria fora do mercado formal.

Essa proporção muda completamente uma projeção tributária.

Se uma legalização federal levar consumidores e empresas para o mercado regulado, a base de arrecadação aumenta.

Por outro lado, se impostos, licenças e custos regulatórios deixarem o produto legal muito mais caro do que o ilegal, parte dos consumidores pode continuar comprando fora do sistema.

O próprio Budget Lab reconhece essa incerteza.

Seu modelo inclui uma migração parcial da atividade informal para o mercado formal, mas não há como saber antecipadamente quanto dessa transferência realmente aconteceria.

Existem ainda receitas potenciais que ficaram de fora da estimativa de US$ 57,9 bilhões.

Uma legalização ampla poderia formalizar trabalhadores e gerar novas receitas de imposto de renda e contribuições sobre salários. Yale cita uma estimativa de mais de 440 mil trabalhadores empregados apenas em empresas que já operavam de acordo com leis estaduais.

Esses efeitos não foram incorporados à projeção principal.

O que a Seção 280E tem a ver com a tributação da cannabis?

A Seção 280E do código tributário americano impede negócios ligados ao tráfico de substâncias das listas I e II de deduzirem várias despesas comuns de operação no cálculo do imposto federal.

Para empresas de cannabis atingidas pela regra, isso historicamente criou uma situação bastante diferente da encontrada em negócios tradicionais.

Despesas como aluguel, folha de pagamento, marketing, seguros e serviços básicos podem ter tratamento tributário muito mais limitado.

No cenário hipotético de legalização analisado por Yale, esse problema deixaria de existir para o mercado abrangido pela reforma.

Isso poderia estimular empresas atualmente informais a entrarem no mercado formal. Ao mesmo tempo, também reduziria parte da carga tributária federal hoje suportada por operadores que já cumprem as regras estaduais.

Yale optou por não estimar esse efeito na projeção dos US$ 57,9 bilhões por falta de dados suficientes para modelar a transição.

É mais uma razão pela qual os US$ 111,3 bilhões precisam ser interpretados como uma estimativa baseada em premissas e não como dinheiro garantido para os cofres americanos.

Como essa discussão se conecta às mudanças recentes na cannabis nos EUA?

A discussão tributária surge justamente em um momento no qual os Estados Unidos estão mexendo em diferentes partes da sua política federal de cannabis.

A legislação americana continua fragmentada. Há mercados legais em diversos estados, mudanças recentes no tratamento federal da cannabis medicinal e, ao mesmo tempo, novas restrições programadas para produtos derivados de hemp.

A Kaya Mind já explicou a diferença entre reclassificação e legalização em Reclassificação da maconha nos EUA: o que o governo Trump mudou e como isso afeta o mundo.

Também vale assistir ao nosso vídeo especial no YouTube sobre o assunto:

Assista: mudança na regulamentação da cannabis nos Estados Unidos e seus impactos

Esse contexto é importante porque a análise de Yale depende justamente de um cenário que ainda não existe: uma legalização federal ampla.

Mudanças regulatórias recentes reduziram algumas barreiras para determinados produtos medicinais, mas a cannabis não foi simplesmente legalizada em todo o país. O próprio Budget Lab ressalta que o ambiente ainda é um mosaico de leis estaduais e regras federais.

O que está acontecendo com a regra dos 0,4 mg de THC no hemp?

Outra mudança americana coloca os miligramas de THC no centro da regulamentação, mas por um motivo completamente diferente.

A Seção 781 da Public Law 119-37, aprovada em novembro de 2025, muda a definição federal de hemp. Para produtos finais derivados de cânhamo, a norma determina um limite de 0,4 miligrama de THC total por embalagem e passa a trabalhar também com THC total, incluindo THCA. A regra está prevista para entrar em vigor em 12 de novembro de 2026.

A própria lei define “container” como a embalagem ou recipiente mais interno em contato direto com o produto vendido ao consumidor, incluindo exemplos como frasco, pacote, lata ou cartucho.

O curioso é que duas discussões federais passam a olhar para a mesma unidade.

De um lado, o estudo de Yale propõe usar miligramas de THC para cobrar imposto.

Do outro, a nova definição de hemp usa miligramas de THC para determinar quais produtos continuam enquadrados nessa categoria federal.

Mas a dificuldade técnica é parecida: se miligramas passam a definir obrigações legais ou financeiras, laboratórios, métodos de teste e margens de erro ganham ainda mais importância.

O Senado americano aprovou em agosto uma versão do H.R. 6500 que prevê adiar parcialmente os efeitos da Seção 781 até 11 de dezembro de 2026 para determinados produtos. Porém, até 25 de agosto, esse texto ainda dependia da concordância da Câmara e de sanção presidencial. Portanto, 12 de novembro segue sendo a data legal vigente enquanto o novo texto não for aprovado definitivamente.

Por que tudo isso importa para o Brasil?

Porque mudanças no mercado americano não ficam necessariamente dentro dos Estados Unidos.

O Brasil ainda depende fortemente de produtos importados para atender pacientes de cannabis medicinal.

Segundo dados da Kaya Mind, mais de 70 mil frascos por mês de produtos de cannabis produzidos nos Estados Unidos são importados para o Brasil, e mais de 300 mil pacientes possuem autorização para importar produtos pela via regulatória da Anvisa.

O mercado de importação pela RDC 660 movimentou mais de R$ 250 milhões entre junho de 2025 e maio de 2026, segundo levantamento da Kaya Mind.

Por isso, uma alteração que obrigue empresas americanas a reformular produtos, rever testes, reduzir THC ou reorganizar sua operação pode aparecer do outro lado da cadeia na forma de:

  • mudança de portfólio;
  • produtos reformulados;
  • novos certificados de análise;
  • alterações de preço;
  • atrasos;
  • redução da oferta;
  • troca de fornecedores.

Esse tema já foi aprofundado pela Kaya Mind em Mudança na regulamentação de cannabis dos EUA pode afetar pacientes no Brasil.

A discussão sobre confiabilidade dos testes também conversa diretamente com o mercado medicinal brasileiro.

Quando estamos falando de tratamento, potência não é apenas uma informação comercial. Ela ajuda prescritores e pacientes a entenderem quanto CBD, THC e outros canabinoides estão sendo administrados em determinada dose.

Para conhecer as diferenças entre as vias de acesso e quais informações observar em rótulos e produtos, vale complementar a leitura com Você sabe identificar um produto de cannabis regulamentado pela Anvisa?.

O que a projeção de Yale realmente mostra sobre o futuro da cannabis?

Os US$ 111,3 bilhões chamam atenção, mas talvez o dado mais importante do estudo de Yale seja outro: um mercado regulado de cannabis exige infraestrutura regulatória tão sofisticada quanto a tributária.

Não basta legalizar e criar um imposto.

Se o governo quiser cobrar por miligrama de THC, precisará garantir que um miligrama medido por um laboratório seja, dentro de uma margem aceitável, o mesmo miligrama medido por outro.

Será preciso discutir:

  • padronização de métodos;
  • coleta independente de amostras;
  • auditorias cegas;
  • fiscalização de laboratórios;
  • certificados de análise;
  • rastreabilidade;
  • margens de tolerância;
  • rotulagem;
  • incentivos econômicos;
  • efeitos dos impostos sobre o mercado ilegal.

Os Estados Unidos estão caminhando para um cenário em que a cannabis é discutida simultaneamente como medicamento, produto de consumo, atividade econômica, fonte de impostos e questão de saúde pública.

É uma mudança importante de escala.

E o Brasil deve acompanhar esse movimento de perto.

Em 2025, o país já ultrapassou 873 mil pacientes de cannabis medicinal, segundo o Anuário da Cannabis Medicinal da Kaya Mind. Desse total, cerca de 354 mil acessaram produtos pela via de importação.

Para entender melhor o tamanho e a evolução desse mercado, confira também Número de pacientes de cannabis no Brasil em 2025: país ultrapassa 873 mil usuários.

Quanto maior o mercado global de cannabis fica, mais questões que antes pareciam detalhes técnicos passam a movimentar bilhões.

E, nesse caso, uma delas cabe em apenas três letras: THC.

Perguntas frequentes sobre o imposto sobre cannabis nos EUA

Os Estados Unidos aprovaram um novo imposto federal sobre cannabis?

Não. Os US$ 57,9 bilhões e US$ 111,3 bilhões são projeções de um estudo do Budget Lab da Universidade Yale. O instituto simulou quanto um imposto federal poderia arrecadar caso houvesse legalização federal da cannabis e cobrança baseada na quantidade de THC.

Quanto Yale estima que o imposto sobre cannabis poderia arrecadar?

O estudo projeta US$ 57,9 bilhões em dez anos caso exista legalização federal mantendo as atuais regras estaduais. Se todos os estados restantes também legalizarem a cannabis, a estimativa sobe para US$ 111,3 bilhões.

Como seria calculado o imposto?

O modelo utiliza uma cobrança de US$ 0,00625 por miligrama de THC. Dessa forma, produtos com mais THC pagariam mais imposto, independentemente de seu preço de venda.

Por que medir a potência do THC é um problema?

Estudos independentes encontraram diferenças entre os valores informados em rótulos e os resultados laboratoriais. Em uma auditoria de 277 produtos do Colorado, 96% dos concentrados ficaram dentro da margem de 15% adotada no estudo, mas apenas 56,7% das flores alcançaram o mesmo nível de precisão.

Essa discussão pode afetar pacientes brasileiros?

O imposto estudado por Yale não teria aplicação direta no Brasil. Porém, mudanças regulatórias, tributárias e produtivas nos Estados Unidos podem afetar fabricantes que exportam produtos para pacientes brasileiros. Os EUA são hoje uma importante origem dos produtos importados pelo Brasil para uso medicinal.

Leituras e conteúdos complementares da Kaya Mind

Para acompanhar essa transformação do mercado americano e entender suas possíveis consequências para o Brasil:

  • Mudança na regulamentação de cannabis dos EUA pode afetar pacientes no Brasil
  • Reclassificação da maconha nos EUA: o que o governo Trump mudou e como isso afeta o mundo
  • Número de pacientes de cannabis no Brasil em 2025: país ultrapassa 873 mil usuários
  • Como identificar um produto de cannabis regulamentado pela Anvisa
  • Vídeo: entenda a mudança na regulamentação da cannabis nos Estados Unidos
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