Evento inédito da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP acontece nos dias 5 e 6 de novembro, em São Paulo, e reúne academia, Anvisa, associações e setor produtivo para discutir pesquisa, cultivo, regulação, acesso e inovação em cannabis medicinal.
A cannabis medicinal ganha mais um espaço dentro da academia brasileira. Nos dias 5 e 6 de novembro de 2026, a Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF/USP) realiza a primeira edição do Congresso Acadêmico Brasileiro de Cannabis Medicinal, o 1º CABCANN-FCF/USP.
O encontro será presencial, no Auditório István Jancsó, no campus Butantã da USP, em São Paulo, e marca a primeira iniciativa da FCF/USP integralmente dedicada à cadeia de valor da cannabis medicinal sob a perspectiva das ciências farmacêuticas.
Com o tema “Do cultivo à inovação em saúde: ciência, inovação, desenvolvimento e regulação para impulsionar o avanço científico, tecnológico e social”, o congresso pretende aproximar diferentes atores que já participam da construção desse mercado no Brasil.
A programação inclui pesquisadores, profissionais da saúde, representantes de universidades, órgãos reguladores, associações de pacientes e empresas, em um momento em que o Brasil começa a estruturar novas regras para cultivo, pesquisa, produção e acesso à cannabis medicinal.
Congresso acontece em um novo momento regulatório para a cannabis no Brasil
A realização do CABCANN ocorre poucos meses depois de mudanças importantes na regulamentação brasileira.
Em 2026, a Anvisa publicou um conjunto de novas resoluções envolvendo cultivo para pesquisa, produção de cannabis com até 0,3% de THC, atuação de associações e fabricação e comercialização de produtos medicinais.
A Kaya Mind acompanhou esse processo desde as primeiras discussões. Em nossa análise sobre as novas regras da Anvisa para cannabis medicinal, mostramos como as mudanças começam a redesenhar etapas da cadeia que, durante anos, permaneceram dependentes de importação, decisões judiciais ou autorizações excepcionais.
O congresso acontece justamente nesse período de transição. Segundo o material de divulgação, a proposta é discutir os efeitos práticos desse ambiente regulatório sobre cultivo, pesquisa, produção e assistência farmacêutica.
A discussão sobre produção nacional também ganhou força nos últimos meses. A Kaya analisou recentemente o relatório da Anvisa sobre cultivo de cannabis medicinal, que reuniu contribuições de universidades brasileiras, centros de pesquisa, associações e instituições internacionais.
Da legislação à prática clínica: seis eixos de discussão
A programação atual do CABCANN está organizada em seis grandes eixos temáticos:
Legislação, com discussões sobre o marco regulatório e requisitos sanitários;
Produção e Controle, abordando cultivo, tecnologias produtivas e controle de qualidade;
Acesso, incluindo políticas públicas, judicialização, associações terapêuticas e modelos assistenciais;
Pesquisa e Inovação, aproximando desenvolvimento farmacêutico, ciência e aplicação clínica;
Farmacovigilância, com foco no acompanhamento de pacientes, resultados terapêuticos e segurança;
e Veterinária e Cannabis, dedicada ao sistema endocanabinoide e ao uso clínico em animais.
Essa amplitude ajuda a mostrar como o debate sobre cannabis medicinal mudou de escala no Brasil.
Há alguns anos, grande parte da discussão estava concentrada em acesso de pacientes e importação de produtos. Hoje, entram no mesmo debate temas como produção de matéria-prima, boas práticas, desenvolvimento farmacêutico, controle de qualidade, farmacovigilância, políticas públicas e inovação tecnológica.
Cannabis ganha mais espaço dentro das universidades
A realização de um congresso dedicado exclusivamente ao tema por uma das principais universidades brasileiras também reflete uma mudança no ambiente acadêmico.
Pesquisa sobre cannabis já faz parte da rotina de diferentes universidades e grupos científicos brasileiros. Trabalhos investigam desde farmacologia e desenvolvimento de produtos até cultivo, genética, acesso, saúde pública e impactos regulatórios.
A própria FCF/USP possui trabalhos acadêmicos recentes relacionados ao tema, incluindo pesquisas sobre o impacto dos marcos regulatórios na produção científica e tecnológica em cannabis.
Esse movimento não acontece apenas na USP. A Kaya já mostrou como a cannabis medicinal vem ganhando espaço dentro das universidades e como instituições brasileiras passaram a desenvolver pesquisas, cursos e iniciativas específicas sobre a planta.
Para quem acompanha produção acadêmica, também reunimos um guia sobre como encontrar dados e pesquisas confiáveis sobre cannabis.
Cultivo, produção e controle de qualidade entram na programação
No primeiro dia, um dos painéis programados aborda o caminho “da planta ao medicamento à base de cannabis”, com foco em ciência, tecnologia e qualidade.
Também haverá uma palestra específica sobre farmacognosia da Cannabis sativa, incluindo análise farmacopéica e obtenção de matéria-prima vegetal com qualidade.
No segundo dia, o debate passa por aspectos regulatórios e sanitários, pesquisa e desenvolvimento tecnológico e acompanhamento farmacoterapêutico de pacientes. A programação oficial é preliminar e ainda pode sofrer alterações.
Esse tipo de discussão ganha relevância justamente quando o Brasil começa a avançar da pergunta “é possível produzir cannabis nacionalmente?” para questões mais complexas, como quais padrões de qualidade serão necessários, quem poderá produzir e como essa produção chegará aos pacientes.
Acesso e associações também estão no centro do debate
A programação reserva espaço específico para acesso à cannabis medicinal, políticas públicas, judicialização e modelos assistenciais.
As associações ocupam um papel importante nessa discussão. Essas organizações participaram diretamente da expansão do acesso à cannabis medicinal no Brasil e seguem atendendo uma parcela relevante dos pacientes.
A Kaya reuniu a história e a atuação de algumas das principais organizações na matéria sobre associações de cannabis medicinal no Brasil.
No CABCANN, organizações como ACCURA, Flor da Vida, Maria Flor e APEPI aparecem entre as instituições parceiras do evento. O congresso também conta com apoio institucional de Anvisa, Unesp, Unicamp, Unifesp, CRF-SP, IPT e entidades ligadas aos setores farmacêutico e farmoquímico.
A programação oficial atual também lista CULTIVE e Centroflora entre as organizações parceiras.
Quatro minicursos completam a programação
Além das conferências, palestras, painéis e mesas-redondas, o segundo dia contará com quatro minicursos simultâneos de três horas.
Os temas previstos são:
- cannabis medicinal na medicina veterinária;
- cultivo, genética, produção e qualidade da matéria-prima;
- desenvolvimento, produção e controle de qualidade;
- cannabis, sociedade e políticas públicas.
A inscrição completa dá acesso à programação científica e a um minicurso escolhido pelo participante. Também é possível realizar apenas um dos minicursos, sem inscrição no congresso completo, segundo as informações disponibilizadas pela organização.
Um mercado que já alcança mais de 870 mil pacientes
O fortalecimento do debate científico acontece enquanto o número de brasileiros que utilizam cannabis medicinal continua crescendo.
Segundo o Anuário da Cannabis Medicinal 2025 da Kaya Mind, 873.111 brasileiros utilizaram produtos à base de cannabis em 2025, aumento de 30% em relação a 2024. O mercado movimentou aproximadamente R$ 971 milhões no período.
Você pode conferir esses números em detalhes na nossa análise sobre os mais de 873 mil pacientes de cannabis medicinal no Brasil.
O crescimento do número de pacientes, combinado às mudanças regulatórias e ao avanço das pesquisas, aumenta também a necessidade de profissionais preparados para lidar com uma cadeia cada vez mais complexa.
É justamente nesse encontro entre ciência, formação profissional, mercado, regulação e acesso que o primeiro CABCANN pretende se posicionar.
“O CABCANN-FCF/USP propõe-se a ser a ponte entre o conhecimento produzido na Academia e sua aplicação na sociedade”, afirma o professor Paulo Chanel Deodato de Freitas, idealizador do congresso.
Serviço — 1º CABCANN-FCF/USP
Evento: 1º Congresso Acadêmico Brasileiro de Cannabis Medicinal – FCF/USP
Data: 5 e 6 de novembro de 2026
Local: Auditório István Jancsó — Espaço Brasiliana, Campus USP Butantã, São Paulo
Formato: presencial
Capacidade: 270 participantes
Programação: conferência magna, painéis, palestras, mesa-redonda e quatro minicursos
Inscrições: abertas, com valores divididos por lotes para estudantes e profissionais. O release informa valores de primeiro lote de R$ 200 para estudantes e R$ 400 para profissionais.
A programação atualizada, os palestrantes, os lotes vigentes e as inscrições estão disponíveis no site oficial do 1º CABCANN-FCF/USP.


