Fundos de investimentos de cannabis no Brasil

Tempo de leitura: 6 minutos

A indústria canábica vem crescendo e, com isso, surgiram fundos de investimento voltados para o mercado da maconha, inclusive no Brasil; conheça cada um deles e suas especificidades 

A existência de fundos da cannabis no mercado brasileiro é, em grande parte, uma consequência da evolução do debate no âmbito internacional. Os fundos de investimento em cannabis tem se tornado cada vez mais comum, já que essa indústria vem crescendo, bem como o interesse de investidores por essa indústria emergente.

Os fundos de investimentos são aplicações financeiras coletivas formados pela união de recursos de diferentes investidores e administrados por gestores com experiências diversas. Existe uma variedade de fundos, como ETFs, CDB, debêntures, moedas, derivativos e mais, sendo que cada um tem suas especificações e seus enfoques.

 

Como surgiram os fundos de investimento de cannabis?

Em 2018, o governo do Canadá legalizou o uso recreativo da maconha e movimentou a indústria mundial, como foi detalhado na publicação Mercado canadense de cannabis mais que dobra em 2020. Esse avanço propiciou circunstâncias de crescimento para o setor e também possibilitou grandes empresas da planta a se abrirem para o mercado público. A produtora e distribuidora de cannabis Aphria Inc., por exemplo, foi a primeira a ser comercializada na principal bolsa de valores do mundo, em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

A partir desse momento, outras organizações canábicas também entraram para o mercado financeiro, como a Tilray, e as possibilidades de investimentos na indústria cresceram cada vez mais. De acordo com dados internos da Kaya Mind, o mercado de maconha legal poderia movimentar por volta de R$ 26,1 bilhões no Brasil no quarto ano de sua regulamentação, sendo R$ 9,5 bilhões apenas movimentados pelo mercado medicinal. Mesmo que o setor canábico esteja no início de seu desenvolvimento no Brasil, já surgiram fundos e oportunidades para pequenos e grandes investidores que acreditam no futuro e no potencial do mercado, seja nacional ou internacional.  

 

Quais são os fundos de investimento de cannabis no Brasil?

Vitreo Canabidiol FIA IE

Em outubro de 2019, surgiu o primeiro fundo de investimento em território brasileiro, o Fundo Vitreo Canabidiol FIA IE, gerido pela fintech Vitreo. Com investimentos em diversas empresas internacionais voltadas para a indústria de maconha, o objetivo inicial era de captar R$ 100 milhões e, em menos de 12 horas, chegou a receber R$ 3 milhões. Veja algumas características do fundo: 

Vitreo Canabidiol FIA IE

Vitreo Cannabis Ativo  

Em novembro de 2019, a Vitreo lançou um novo fundo, para um público alvo diferente. Enquanto o pioneiro era voltado para investidores qualificados, com pelo menos R$ 1 milhão em aplicações financeiras ou que tenham certificações validadas pela CVM (Comissão de Valores Imobiliários), o segundo tem como foco investidores em geral. Antigamente chamado de Fundo Vitreo Canabidiol Light FICFIM, foi remodelado para o Vitreo Cannabis Ativo, que, segundo a empresa, é “um fundo mais agressivo, com o diferencial da gestão ativa e com um potencial de lucratividade muito maior, assim como os riscos – e vale o destaque de que nenhum retorno pode ser garantido.” Ele investe no Canabidiol FIA IE e em swap de ativos atrelados ao setor de cannabis 

As particularidades se distinguem do anterior nos seguintes quesitos: 

Vitreo Cannabis Ativo

XP Investimentos 

Ainda, em dezembro de 2021, a XP Investimentos apresentou um novo fundo que investe em ações de empresas relacionadas ao mercado da cannabis internacional e legal. O Trend Cannabis FIM acompanha a variação do ETF MG Alternativa Harvest, ligado ao setor de cannabis nos Estados Unidos. Além disso, o fundo multimercado da XP tem proteção cambial, ou seja, o investidor não fica exposto às oscilações do dólar, e é aberto para o público em geral. Ainda assim, o Trend Cannabis FIM é de alto risco. Veja abaixo alguns de seus atributos:  

XP Investimentos Cannabis

Todas essas oportunidades de investimento foram afetadas pela pandemia do novo coronavírus, pois causou o fechamento de estabelecimentos relevantes, prejudicando o desempenho econômico mundial. Tanto os índices do Ibovespa como do S&P 500 caíram nos três primeiros meses de 2020, mas a partir de abril houve uma retomada significativa. Ainda assim, as lojas e empresas de maconha nos EUA e no Canadá, por exemplo, conseguiram operar de forma positiva durante os respectivos lockdowns já que foram consideradas como serviços essenciais e, portanto, ficaram abertas para entregas e retiradas.  

 

BTG Pactual 

O investimento de cannabis brasileiro mais recente, lançado no dia 28 de junho de 2021, foi do BTG Pactual. Chamado de Cannabis Ativo FIM, esse ativo pode ser incorporado em seu portfólio e é gerenciado por especialistas da Vitreo, fintech citada anteriormente.  Enquanto alguns fundos investem 20% em ETFs de cannabis, esta alternativa tem 100% de exposição no tema.  Além disso, em sua carteira, estão empresas de renome do setor que atuam desde a área de biotecnologia até a de cosméticos. Por isso, é uma boa opção para quem deseja ter uma diversificação nos investimentos. Veja abaixo os detalhes: 

Como investir em fundos de cannabis? 

Para investir em cannabis, não é necessário ser um grande investidor. No Brasil, por exemplo, há possibilidades para pessoas que não podem fazer um aporte inicial volumoso, mas é importante lembrar que os fundos são investimentos de longo prazo e, no caso da cannabis, fazem parte de um mercado volátil, sendo de alto risco.  

Ainda assim, em momentos positivos, têm uma rentabilidade significativa por terem valorizado muito nos últimos anos. Por isso, caso você seja um investidor de perfil arrojado que quer seguir esse risco, o recomendável é aplicar entre 3% e 5% dos seus investimentos nesse mercado. Diante de uma maior aceitação e regulamentação da indústria da cannabis mundial, a tendência é que os investimentos nesse setor se tornem mais seguros.  

Além dos fundos, há outras formas de investir em cannabis, como por meio dos ETFs, as criptomoedas e as NFTs.  

 

O que são ETF de cannabis? 

fundos de investimento cannabisOs ETFs (Exchange Traded Funds ou fundos de índices, em português) são um tipo de fundo de investimento em que se reúne ações de um leque de empresas e em diferentes proporções – no caso da cannabis, investem em grupos como Tilray, Canopy Growth e Aphria, todos os três conhecidos mundialmente. Eles têm sua composição adequada de acordo com o índice de referência, seguindo, portanto, o padrão de rentabilidade desse indicador. Com essas características, os ETFs são alternativas interessantes para quem deseja uma carteira diversificada.  

Os ETFs da cannabis são mais populares fora do Brasil, já que são formatos de aplicação bem conhecidos e desenvolvidos. No Brasil, por outro lado, esse tipo de investimento foi regulamentado em 2002, sendo que o primeiro surgiu em 2004, o que justifica o fato de que há apenas 65 BDRs (Brazilian Depositary Receipt) de ETFs na bolsa brasileira e há pouco conhecimento em torno dessas opções.  

Hoje, existem alguns fundos que investem em ETFs no país, como os da Vitreo. O Canabidiol FIA IE, por exemplo, investe dois terços do portfólio em ETFs e um terço em ações de cinco a seis empresas do setor. A XP Investimentos também lançou um fundo que investe em ações de companhias internacionais do segmento e, portanto, acompanha um ETF.  

 

Mercado e cuidados com fundos de investimento de cannabis

Mesmo diante de uma crise sanitária, a evolução e o crescimento da indústria canábica se mostra inevitável. Desde o final de 2020, as ações dasmaiores empresas de maconhaestão em ascensão devido a uma série de fatores, sendo o mais relevante a eleição do presidente estadunidense Joe Biden e da vice-presidente Kamala Harris. Isso aconteceu, pois ambos os políticos já expressaram seu apoio ao desenvolvimento do setor, o que aqueceu o mercado. Além disso, no mesmo ano, houve 124 acordos de fusão e aquisição de companhias relacionadas à cannabis no mercado canadense e dos EUA, movimentando US$ 615 milhões, segundo a S&P Global. 

Contudo, é importante ter em alerta a forte volatilidade nos investimentos de maconha, os fundos brasileiros da cannabis que, por vezes, também sofrem com alterações cambiais. Para quem tem o perfil mais conservador, deve-se considerar uma aplicação de longo prazo e manter uma visão de menor risco. Porém, para os investidores mais arrojados e aqueles que conseguem movimentar em moeda estrangeira, é possível encontrar boas opções de investimento nessa indústria. 

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