Cannabis e empregos: o mercado de trabalho da maconha nos EUA

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Lara Santos

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Com o crescimento da indústria da maconha, surgem mais empregos dentro da área. Essa consequência foi possível de notar nos Estados Unidos, principalmente no ano de 2020 e 2021, em meio à pandemia do novo coronavírus.

O setor da cannabis vem se regulamentando em diversos países e, com isso, são criados novos empreendimentos para suprir as demandas geradas pelo desenvolvimento dessa indústria. Inevitavelmente, surgem mais vagas no mercado de trabalho, como aconteceu nos Estados Unidos. 

Como a indústria da cannabis diminui o desemprego nos EUA? 

A informação é da empresa Leafly, que divulgou um relatório sobre a geração de empregos no setor da cannabis. Segundo o documento, desde 2017, a indústria cresce 27,5% cada ano. De 2020 até fevereiro de 2021, houve a criação de 77,3 mil vagas, ainda que o período tenha sido marcado por crises econômicas causadas pela pandemia do novo coronavírus

empregos com cannabis
Empregos com cannabis

Diferente de muitas indústrias, o mercado da maconha não foi tão atingido pelas consequências da Covid-19 nos EUA, pois, em muitos dos estados, governadores optaram por categorizar os comércios relacionados à planta como serviços essenciais. Assim, as vendas cresceram vertiginosamente, já que os consumidores decidiram estocar produtos da erva para cumprir o isolamento social e ficar em casa, recorreram à maconha para diminuir ansiedade e estresse causados pela pandemia, e participaram predominantemente de atividades cannabis-friendly, como assistir à filmes e séries.

Até janeiro de 2022, foram calculados 428,059 mil empregos relacionados à maconha no país estadunidense. Há mais vagas disponíveis nas regiões da Califórnia, Colorado, Michigan, Illinois, Massachussetts, Pensilvânia, Flórida, Arizona, Washington e Oregon, sendo na Pensilvânia e Flórida voltada exclusivamente ao mercado medicinal.  

Para se ter uma ideia do tamanho dessa indústria nos Estados Unidos: enquanto o mercado de trabalho da área de enfermagem teve um desenvolvimento de 53% em 10 anos, a da maconha expandiu 161% em apenas quatro anos. Além disso, hoje, no país, há mais profissionais no setor da cannabis do que engenheiros elétricos, dentistas e pilotos de avião. Esses são dados do relatório anterior da Leafly, de 2021.  

E no Brasil, como trabalhar com maconha legalmente? 

Apesar do mercado da cannabis ainda não ser totalmente regulamentado no Brasil, existem cada vez mais maneiras de atuar nessa indústria no país, já que novas marcas já enxergam o potencial do país e o número de pacientes medicinais e prescritores de cannabis aumenta com o passar do tempo.  

Como o mercado medicinal é o único regulamentado, é possível atuar nessa área da cannabis. Existem importadoras de derivados da planta que atuam no país e já têm estruturas relevantes, bem como tem equipes bem consolidadas e uma reputação ampla. As associações também são outra opção – são mais de 80 no país –, sendo que muitas funcionam com voluntários ou com funcionários contratados para atuar nas áreas de atendimento, comunicação e mais. Além dessas duas formas, há grandes empresas, como farmacêuticas, que já trabalham com a planta, mesmo que indiretamente.  

É possível trabalhar com outras áreas sem ser relacionadas com a de maconha medicinal, mesmo que seja a única regulamentada. Há veículos de comunicação voltados inteiramente para a pauta da cannabis, além de empresas que não tem contato direto com a planta – a Kaya Mind, por exemplo, trata sobre inteligência de mercado relacionada à cannabis. Ainda, existem também as tabacarias, headshops, growshops etc. que atuam em outros segmentos que tem relação com maconha, bem como outros modelos de negócio canábicos. 

O que estudar para trabalhar com maconha? 

Como o mercado da cannabis é emergente, as especialidades para atuar são variadas, porque há necessidade de muitos profissionais. Ao mesmo tempo, por ser uma indústria inovadora, muitas das empresas oferecem oportunidades para pessoas que têm uma mente mais aberta e que estão dispostos a aprender continuamente no dia a dia. O tema da cannabis é extremamente novo, mesmo que a planta faça parte da humanidade há milênios, o que faz com que novas descobertas e mudanças surjam ao longo da consolidação do setor. 

Hoje, as companhias no Brasil buscam muitos trabalhadores que atuam em marketing, comunicação, administração, comercial, análise de mercado e dados, pesquisa e mais. Não há muitas oportunidades, no entanto, relacionadas ao manejo direto à planta, já que não é permitido cultivar cannabis em território nacional, apesar de existirem algumas exceções, como a Abrace. 

Quantos empregos o Brasil poderia ganhar com cannabis? 

De acordo com a Pesquisa de Emprego no Estado de São Paulo (Pesp), da  FecomercioSP, no estado de São Paulo, os setores do comércio e de serviços perderam mais de 308,7 mil vagas em apenas 8 meses, de janeiro a agosto de 2020. Ainda, a taxa de desemprego no Brasil atingiu seu recorde durante a pandemia do novo coronavírus. Se a maconha fosse legalizada no Brasil, em suas mais diversas formas de uso, será que esses empregos não teriam sido salvos? 

Segundo uma análise da Kaya Mind publicada no relatório “Impacto Econômico da Cannabis”, estimou-se que, no quarto ano de regulamentação abrangente de todos os usos da cannabis – medicinal, adulto e industrial -, seriam movimentados por volta de R$ 26,1 bilhões e R$ 8 bilhões de impostos seriam arrecadados. Além disso, como essa legislação abraçaria indústrias diferentes, por volta de 117 mil empregos poderiam ser criados. 

Seriam milhares de oportunidades para os brasileiros, mas vale lembrar que esse mercado já tem uma movimentação importante no país, portanto, nunca é tarde para tentar. Aqui, no Cannabis Empregos, você pode encontrar algumas das vagas em aberto. 

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