Análise SWOT: Os pontos fortes da cannabis no Brasil

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Lara Santos

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Conheça os principais pontos fortes do mercado da maconha no Brasil e quais características do nosso país seriam favoráveis a essa indústria

Recentemente começamos uma série de extrema importância e que ainda não havia sido publicada no Brasil, uma análise mercadológica do segmento da cannabis e do cânhamo aqui no país. 

A verdade é que já existe todo um mercado que trabalha com os consumidores da substância e, atualmente, com a legislação já é possível fazer a importação e venda de medicamentos a base de cannabis no país, sendo assim, independente de possíveis mudanças, é importante que empreendedores, investidores e empresários já consigam navegar nesse mercado. 

Se você não viu nossa primeira postagem, onde definimos uma análise SWOT, sugerimos que você volte e leia este post primeiro

Em uma análise SWOT, os pontos fortes são: atividades, estruturas, processos e comportamentos internos favoráveis de uma empresa, isto é, o que ela faz de melhor. São esses os fatores que contribuem para o sucesso da empresa e de sua marca, sendo, nesse caso, de todo um mercado. 

No caso da cannabis, esse setor nunca foi tão promissor. Depois de quase 100 anos de proibição das substâncias presentes na maconha, pesquisadores já conseguem provar cientificamente os efeitos positivos do tratamento à base da planta para determinadas condições. Esse avanço acadêmico aliado à constante pressão de uma parcela da população a favor da legalização e a falha da guerra às drogas, levou governos a repensarem qual seria a melhor forma de lidar com a política de drogas.  

A Holanda, mais precisamente Amsterdã, tem uma política que chamou atenção mundo afora ao tentar uma nova aproximação com as drogas, permitindo seu consumo e aquisição em coffeeshops fiscalizados e que pagam impostos. Como esse exemplo, existem outros “outliers”, mas a medida mais comum de se acompanhar no cenário internacional são governos repensando suas estratégias de forma local, como foi o caso de 30 estados nos Estados Unidos, Canadá e Uruguai que legalizaram todas as formas de consumo da maconha. Além disso, a União Europeia mudou sua posição com relação ao CBD e cânhamoa Colômbia legalizou a maconha apenas para fins terapêuticos e outros países seguiram diferentes caminhos. 

A vantagem de se pensar na política de drogas de uma forma local é que cada país ou região tem características próprias mais ou menos adequadas para determinadas drogas. É o caso do Brasil com a cannabis, onde existe um histórico de proibição ligado ao extermínio e encarceramento de uma parcela da população: o consumo de drogas está vinculado à população branca, enquanto o tráfico está associado à população negra. A verdade é que a maconha é consumida por mais de 1,45% da população de forma constante, sendo que as maiores taxas de consumo (2,4% da população) acontecem entre pessoas com escolaridade de nível superior completo ou mais. 

Além de sofrer com as consequências de quase 200 anos de proibição – a primeira prática proibicionista foi implementada no Rio de Janeiro, em 1830, para que a população escravizada tivesse o consumo criminalizado –, o Brasil tem diversas características positivas para o cultivo da cannabis em território nacional. 

Abaixo estão algumas das principais características que podem ser consideradas como pontos fortes do mercado da cannabis no Brasil:

  • Clima e terra fértil em um país que tem histórico de culturas similares a da cannabis e do cânhamo;
  • Cultivo fácil e resistente; as primeiras evidências da planta da cannabis foram encontradas no alto de montanhas, sem que houvesse um cuidado com as plantas. No Marrocos, por exemplo, a produção é 100% outdoor e, apesar de haver um cuidado por parte das famílias produtoras, o cultivo é simples e enfrenta diferentes temperaturas e ambientes;
  • Posição estratégica dentro das Américas, tornando-se um importante exportador para países sem território disponível para a cultura;
  • Oferecer benefícios terapêuticos que podem ajudar no tratamento de mais de 95 milhões de pessoas;
  • É o país com maior área produtiva ociosa do mundo, sendo que o cultivo da cannabis e do cânhamo não limita e nem atrapalha as demais produções;
  • Uso seguro pelos usuários que, atualmente, têm grande parte da demanda suprida pelo prensado que vem do Paraguai, substância que não tem controle nenhum e apresenta riscos à saúde. 

Se você quiser entender melhor como foram feitos alguns desses cálculos, sugerimos que confira o nosso último relatório: O Impacto Econômico da Cannabis no Brasil. Lá você encontra o potencial tamanho de mercado da cannabis, o número de usuários que seriam impactados com a legalização, o potencial tributário que o país tem e quais os principais indicadores que precisamos medir na hora de desenhar uma regulamentação da planta no país.

E com relação a esses pontos fortes da cannabis no Brasil, você concorda com eles ou acha que deixamos algo de fora?

Como esse tipo de análise é extensa e requer que diversos pontos sejam levantados e analisados, decidimos fazer uma série sobre esse tema. Nas próximas semanas será possível acompanhar o lançamento de três novos textos, sendo que cada um deles contempla uma etapa dessa análise. São eles:

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