Análise SWOT: Fraquezas da cannabis no Brasil

Tempo de leitura: 3 minutos

Como qualquer outro mercado, a maconha quando legalizada no país terá que enfrentar barrerias que são intrínsecas a essa indústria.

Este é o terceiro texto de uma sequência de postagens exclusivas que compõem a primeira análise SWOT pública do meio canábico. Na primeira publicação, explorou-se um pouco de quais são as principais características desse tipo de estudo e como classificar o que são fatores externos e internos, enquanto o segundo texto explora os principais pontos positivos que essa indústria tem no Brasil

Por outro lado, as fraquezas de uma empresa ou mercado impedem uma organização de performar em sua melhor escala. São áreas ou características em que a empresa precisa melhorar para se manter competitiva: uma marca fraca, volume de negócios acima da média, altos níveis de endividamento, uma cadeia de suprimentos inadequada ou falta de capital.

No meio da cannabis, a evolução das políticas tem acontecido a passos lentos. Apesar de alguns estados norte-americanos e países já terem flexibilizado ou até mesmo regulamentado a produção, consumo e venda da maconha em suas regiões, em muitos lugares ainda existe uma grande resistência para iniciar esse debate. Mesmo com a regulamentação de todas as formas de consumo da maconha, os países ainda sofrem com o mercado ilegal, pois este consegue flexibilizar preços e regras, algo que o mercado consumidor de maconha está acostumado a enfrentar. 

Além dessa resistência governamental, há também questões colocadas pela sociedade civil, que ainda enxerga riscos nessa regulamentação e tem medo, pois ficam sem as políticas públicas necessárias para responder a perguntas importantes. Como, por exemplo, quem serão os produtores? Para onde será direcionado o imposto recolhido desse setor? Como educar os jovens para não aumentar o consumo? Como isso afetará a capacidade dos motoristas e operadores de máquinas pesadas? 

O Brasil é um excelente exemplo de um país em que a sociedade e o governo estão com dificuldade para evoluir na pauta da cannabis, pois, mesmo havendo um caminho para o uso medicinal da maconha, todo o restante do debate político sobre o assunto ainda passa por discussões científicas que envolvem ética e a moral. Em outras regiões, o mesmo ocorre, porém, como é um ponto que varia de acordo com a maturidade dos argumentos, apresentaram-se algumas fraquezas próprias à indústria da cannabis e que independem do país:

  • Falta de regulamentação. Se já existem mercados regulados (como o de construção civil) em que restam dúvidas e até mesmo sombras na lei, a cannabis, que tem legislações recentes, sofre ainda mais com isso;
  • Preconceito com os usuários, que são estigmatizados como incompetentes, além do racismo da sociedade em associar o tráfico de drogas e a violência a população negra que, até hoje, é a mais prejudicada pelo proibicionismo;
  • Alto custo de início da produção. Como a cannabis é uma planta valiosa, as regras do cultivo são exigentes e limitantes, mas o plantio poderia ser uma força se a escolha fosse de incentivar pequenos produtores (associações e o auto cultivo);
  • No caso do uso medicinal da cannabis, como outros medicamentos, existe um alto custo de embalagem e transporte por ser uma substância controlada;
  • Pesquisas científicas postas em xeque. Existem mais de 25 mil pesquisas sobre o tema, mas alguns pontos ainda são debatíveis dentro da comunidade científica e, por isso, esse ponto é uma fraqueza, e uma oportunidade. 

Se você quiser conhecer mais sobre alguns pontos de oportunidade projetados para o país, sugerimos que confira o último relatório da Kaya Mind: O Impacto Econômico da Cannabis no Brasil. Lá, você encontra o potencial tamanho de mercado da cannabis, o número de usuários que seriam impactados com a legalização, o potencial tributário que o país tem e quais os principais indicadores necessários para medir na hora de desenhar uma regulamentação da planta no país.

E com relação a esses pontos fracos da cannabis no Brasil, você concorda com eles ou acha que algo ficou de fora?

Como esse tipo de análise é extenso e requer que diversos pontos sejam levantados e analisados, decidimos fazer uma série sobre esse tema. Nas próximas semanas, será possível acompanhar o lançamento de dois novos textos, sendo que cada um deles contempla uma etapa dessa análise. São eles:

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