8 modelos de negócios canábicos no Brasil

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Mesmo sem uma regulamentação da cannabis no país, existem diversos modelos de negócios canábicos que já indicam o início desse mercado e o seu potencial econômico 

Na última década, foram criados modelos de negócios disruptivos que reorganizaram o mercado de trabalho e a economia. Empresas como Uber, Rappi, Airbnb, Spotify, Nubank e tantas outras criaram novas formas de entregar produtos já conhecidos e oferecidos, as quais beneficiaram amplamente os consumidores, mas trouxeram desafios para as regulamentações dos países em que se estabeleceram e causaram polêmicas. 

negócios canábicos brasil

Esses modelos de negócios inovadores suprem as necessidades do mercado, mas, muitas vezes, se esquece o quanto precisam lidar com empecilhos na legislação por terem estruturas e operações desconhecidas. Diante da regulamentação da cannabis no Brasil, por exemplo, é possível que esse cenário se repita, pois pouco se conhecerá sobre as especificidades da lei e dos negócios voltados para a erva – as empresas do setor existentes em outros países já encontram esses desafios quando querem atuar em regiões com suas próprias questões normativas. Isso, no entanto, não as impede de crescer e ter um impacto econômico importante nos países.

Mesmo no Brasil, onde há certa regulamentação apenas a respeito do uso medicinal da maconha, os modelos de negócios canábicos vêm conquistando seus espaços e auxiliarão um desenvolvimento econômico e um mercado que pode chegar a mais de 26 bilhões de reais ao ano no país diante da legalização da planta no âmbito medicinal, industrial e uso adulto. No relatório “Impacto Econômico da Cannabis“, lançado no dia 15 de junho, é possível entender o potencial dessa indústria no território brasileiro. Mas antes, veja abaixo alguns dos modelos de negócios que já existem no país:

 

  • Tabacarias ou Head Shops

Apesar do nome remeter ao cigarro, as tabacarias não são destinadas apenas para os fumantes dessa substância. Na verdade e, em especial as Head Shops, têm como um de seus principais públicos-alvo os usuários de cannabis, que compram o tabaco e outros utensílios nessas lojas para utilizar em conjunto com a erva no momento do fumo. Esses estabelecimentos têm vendido, em sua maioria, diversos acessórios que são utilizados pelos consumidores de maconha como os dichavadores, bongs, pipes, piteiras, sedas, filtros, cinzeiros, isqueiros e muitos outros itens. 

Esse modelo de negócio canábico começou a pegar tração rumo ao tamanho de hoje em 2010, quando o número de novas tabacarias abertas no Brasil triplicou versus 2009. De lá para cá, esse valor anual aumentou 1246%, em 2020, e deve crescer mais ainda em 2021, muito puxado pelo modelo online que explodiu durante a pandemia do novo coronavírus e apresenta uma dificuldade de entrada muito menor.

Hoje, as tabacarias são uma febre por todo o Brasil, principalmente em lugares regidos por tendências, mas não restrito a eles, e o perfil das lojas no país varia muito de região para região. Enquanto nas capitais as tabacarias se mostram, em linhas gerais, mais específicas e com um portfólio mais direcionado, é mais comum que no interior os pontos de venda sejam mais generalizados, abarcando uma gama maior de produtos de setores diferentes como itens de conveniência, beleza, alimentícios, vestuário etc.

 

  • Portais de conteúdo

Para disseminar informação sobre o universo canábico, educando os entusiastas e não-entusiastas da planta, surgiram sites voltados inteiramente aos conteúdos do tema. Veículos jornalísticos e canais de entretenimento como Smoke Buddies, Sechat, Cannabis & Saúde, umdois, Cannabis Monitor e tantos outros, fazem o papel importante de desconstruir preconceitos, mostrar o potencial da maconha em diversos âmbitos e, também, de proporcionar uma reflexão sobre um consumo mais consciente, mitigando seus possíveis danos. 

A imprensa e os canais de comunicação como um todo têm sido extremamente importantes na disseminação da pauta da cannabis no país. De 2010 a 2020, foi possível verificar um aumento 10 vezes maior no número de matérias publicadas pelos portais e outro, ainda que gradativo, no número de matérias que associam a cannabis ao seu potencial terapêutico ou industrial de forma positiva, em vez de apenas entender a planta pelo uso adulto, que é, em sua maioria, associado ao tráfico de drogas. O primeiro relatório da Kaya Mind analisou mais de 20 mil matérias para entender o comportamento, positividade, alcance e repercussão do tema no país. 

 

  • Growshops

Esses modelos de negócios canábicos são direcionados a todos que querem fazer algum tipo de cultivo doméstico, seja de um pé de manjericão a um jardim inteiro e, também, aos usuários de cannabis que desejam cultivar a planta em casa, uma vez que muitos dos utensílios necessários para crescer uma planta são os mesmos (luz, equipamentos, vaso, terra, substratos etc). Os growshops vendem todos os equipamentos necessários para esses plantios, que, no caso da cannabis, pode ser realizado legalmente por pessoas com condições médicas beneficiadas pela erva e que conseguiram uma autorização por meio de habeas corpus.

O grande diferencial dessas lojas, para aquelas mais tradicionais que vendem produtos para jardinagem, está no atendimento especializado de vendedores que entendem de diversos tipos de culturas e de como fazê-las de forma doméstica e para uso próprio, funcionando como “consultorias rápidas” de cultivo a cada compra. Os growshops mais premiums incorporam, ainda, elementos de tabacaria e posicionam-se como um lugar de convergência para esse público.

O modelo dos growshops começou a se desenhar na década de 1990, impulsionada especialmente pelo aumento no número de pessoas que optam por fazer o cultivo indoor e pela disseminação da cultura canábica pelo Brasil.

 

  • Fundos de investimento

Os investimentos de cannabis têm crescido mundialmente, após a legalização do seu uso em países chave para o mercado financeiro e o sucesso de grandes empresas do setor. Mesmo que a planta não seja legalizada no Brasil, ela é regulamentada para fins medicinais e esse fato faz com que o interesse e conhecimento por essa indústria aumente. Assim, são criados novos modelos de negócios canábicos, como os fundos de investimentos voltados para a planta. Existem poucas opções no Brasil, mas elas já marcam o começo de um mercado em expansão.

 

  • Aceleradoras de startup

Com movimentações acerca da regulamentação da maconha mundo afora, incluindo no Brasil, surgem novas empresas para suprir a necessidade desse mercado. Estas estruturas, enxutas e com suporte financeiro limitado, são chamadas de startups. Para que elas consigam um espaço na indústria e se desenvolvam de maneira apropriada, as aceleradoras funcionam como incubadoras de empresas, auxiliando pesquisadores e empresários a superar desafios de seus projetos por meio de investimentos, consultorias, mentorias e networking

Como o universo canábico ainda é imaturo no Brasil, mas tem uma tendência importante de evolução, as startups que vêm surgindo precisam de um apoio. Hoje, um exemplo de aceleradora do setor da cannabis no país é a The Green Hub.

 

  • Instituições medicinais

Além das poucas empresas que têm autorização para vender medicamentos derivados de cannabis no Brasil, há outras instituições focadas em oferecer tratamentos medicinais com a cannabis para pacientes que a necessitam. São elas as associações dedicadas a ajudar pacientes, incentivar pesquisas e tornar mais acessível os medicamentos à base de cannabis, como a AMA+ME, Abrace Esperança, Apepi e outras. Também, existem as plataformas que conectam os médicos que receitam remédios derivados de maconha e os pacientes que os necessitam, como a Dr. Cannabis e a Clínica Gravital, e outras que auxiliam pacientes a encontrar os medicamentos receitados, como a Terra Cannabis. Além desses exemplos, há lojas autorizadas para vender medicamentos à base de cannabis, como a Linha Canábica da Ba

Pelo fato da regulamentação atual englobar o uso medicinal da planta, essas empresas têm mais respaldo legal e facilidade de se adequar às normas do país do que os outros modelos de negócios canábicos aqui apresentados – apesar de nenhum deles ser ilegal. 

 

  • Eventos

O tema da cannabis está em alta e, com isso, descobriu-se uma nova forma de disseminar informação, além de trazer luz a um mercado de grande potencial. Os eventos canábicos, que buscam trazer especialistas de diversas frentes do assunto e de reunir entusiastas da planta, têm ganhado cada vez mais espaço no Brasil e, mesmo em meio a pandemia do novo coronavírus, ocuparam plataformas virtuais. Em 2021, por exemplo, já houve um evento importante, chamado Cannabis Affair, em que participaram nomes relevantes como a ministra Carmen Lúcia, a multiartista e ativista Preta Ferreira, o cantor BNegão, o neurocientista Sidarta Ribeiro e muitos outros. 

 

  • Empresas de dados

Em um mercado com escassez de dados, principalmente em um território como o Brasil, onde a regulamentação está atrasada e o proibicionismo está implantado há centenas de anos, a importância de uma empresa voltada à dados de cannabis é clara. Por isso, surgiu a Kaya Mind, dedicada a coletar, analisar e entregar informações sobre o setor da maconha para investidores, empresários, órgãos governamentais, entusiastas e a quem interessar, a fim de auxiliar o desenvolvimento do mercado no país e restaurar os danos causados pelo histórico proibicionista. A Kaya Mind é, inclusive, a primeira empresa de inteligência de mercado da América Latina voltada à cannabis.

 

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